APROVAÇÃO DE TRUMP FICA EM 32% E DEMOCRATAS LIDERAM DISPUTA PELO CONGRESSO

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Pesquisa Reuters/Ipsos aponta vantagem democrata de oito pontos antes das eleições nos EUA, com custo de vida no centro das preocupações dos eleitores

TrumpCRÉDITO: REUTERS/UMIT BEKTAS

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), chegou às eleições legislativas de meio de mandato com apenas 32% de aprovação, enquanto o Partido Democrata mantém vantagem sobre os republicanos nas preferências dos eleitores. De acordo com a pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada nesta segunda-feira (2), 46% dos entrevistados preferem os democratas, diante de 38% que apoiam os republicanos. O aumento do custo de vida aparece como a principal preocupação dos estadunidenses e representou um desafio para o governo liderado pelo chefe da Casa Branca.

Foram entrevistados 1.765 adultos nos EUA pela internet, com margem de erro de dois pontos percentuais. A aprovação de Trump permaneceu em 32%, um ponto percentual acima dos 31% registrados em 19 de outubro. O resultado também coincidiu com a medição de 26 de outubro, quando a Reuters identificou o mesmo percentual de apoio à administração republicana.

A pesquisa foi divulgada em um momento em que os republicanos tentam preservar suas maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado. Os eleitores irão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar integralmente as 435 cadeiras da Câmara e escolher os representantes de 35 vagas no Senado.

O resultado das eleições definirá a composição do Congresso durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial. Uma mudança no controle de qualquer uma das duas Casas poderá afetar a tramitação de propostas do governo, as negociações orçamentárias e a fiscalização das atividades do Executivo.

Custo de vida concentra insatisfação dos eleitores

O desempenho da economia apareceu entre os principais fatores que influenciam as decisões de voto. Segundo os números apresentados no levantamento, 78% dos eleitores consideram o aumento do custo de vida uma questão muito importante ou a mais importante para escolher seus representantes.

A pesquisa também apontou uma vantagem democrata na avaliação sobre qual partido possui melhores condições de enfrentar a alta dos preços. Nesse quesito, 43% preferem os democratas, enquanto 32% escolhem os republicanos.

A insatisfação esteve associada à trajetória dos preços e ao impacto das decisões econômicas do governo sobre o orçamento das famílias. Entre os fatores mencionados está a elevação dos combustíveis desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em fevereiro.

Levantamentos anteriores da Reuters/Ipsos já identificavam dificuldades para Trump nessa área. Em pesquisa divulgada em 9 de outubro, 78% dos norte-americanos atribuíram às políticas presidenciais responsabilidade pelo aumento de preços em ritmo superior ao crescimento dos salários.

O cenário representou uma dificuldade para o Partido Republicano, que chegou à Casa Branca com promessas de reduzir a inflação e aliviar os gastos cotidianos da população. A percepção sobre a economia passou a ocupar posição central no debate eleitoral.

Metade dos eleitores vê votação como oposição a Trump

A avaliação sobre a atual administração também interferiu diretamente na escolha dos candidatos ao Congresso. Conforme os números informados no levantamento, 50% dos eleitores registrados consideram seu voto uma manifestação de oposição a Trump.

Outros 13% afirmaram que pretendem votar como forma de apoio ao chefe da Casa Branca. Para 33%, o desempenho do presidente não representa um fator determinante na escolha dos representantes para a Câmara e o Senado.

Entre os eleitores independentes, aproximadamente metade também interpretaram a eleição como uma oportunidade de expressar descontentamento com o governo. Esse grupo ocupa uma posição relevante nas disputas em estados e distritos onde nenhum dos partidos possui ampla vantagem.

A chamada cédula genérica, instrumento utilizado pelos institutos de pesquisa para medir a preferência nacional entre democratas e republicanos, indica uma liderança de oito pontos percentuais para a oposição, segundo os dados fornecidos.

Essa diferença é inferior aos 11 pontos registrados na pesquisa Reuters/Ipsos de 26 de outubro. Na ocasião, os democratas reuniam 47% das preferências, contra 36% dos republicanos. A pesquisa anterior ouviu 1.679 adultos norte-americanos, dos quais 1.280 eram eleitores registrados.

Os resultados nacionais ajudam a identificar tendências do eleitorado, mas não reproduzem necessariamente o comportamento de cada distrito eleitoral ou estado. A distribuição das cadeiras depende de disputas locais, das características de cada região e da participação dos eleitores.

Democratas demonstram maior disposição para votar

A pesquisa também identificou uma diferença no entusiasmo das bases partidárias. Entre os democratas, 49% afirmam estar “muito entusiasmados” com a possibilidade de participar da eleição, enquanto 33% dos republicanos apresentam o mesmo grau de disposição.

A diferença de 16 pontos percentuais sugeriu maior mobilização declarada entre os eleitores da oposição. O indicador não corresponde diretamente à participação efetiva nas urnas, mas oferece uma medida do interesse dos entrevistados pela disputa.

O comportamento das bases partidárias pode influenciar as eleições para a Câmara, onde os 435 mandatos estarão em disputa. Os republicanos procuram conservar a maioria conquistada nas eleições anteriores, enquanto os democratas tentam ampliar sua representação.

O cenário do Senado apresenta características diferentes. Como apenas parte das cadeiras passa por renovação a cada dois anos, a distribuição geográfica das disputas limita as possibilidades de mudança na composição da Casa.

Eleições definirão equilíbrio de forças em Washington

As eleições de meio de mandato ocorrem dois anos depois da escolha do presidente e representam uma oportunidade para o eleitorado alterar a composição do Poder Legislativo sem modificar o comando da Casa Branca.

Os integrantes da Câmara dos Representantes cumprem mandatos de dois anos, enquanto os senadores exercem funções por seis anos. O sistema renova aproximadamente um terço do Senado a cada eleição legislativa.

O Partido Republicano chega à votação com o controle das duas Casas. A manutenção dessas maiorias permitiria ao governo continuar negociando suas propostas com uma base parlamentar do próprio partido.

Uma eventual mudança na composição do Congresso poderia ampliar a influência democrata sobre o orçamento federal, a fiscalização do Executivo e a tramitação das principais iniciativas da administração Trump.

O quadro de insatisfação econômica constitui um dos elementos da disputa. A alta dos combustíveis, os efeitos da guerra com o Irã e a pressão sobre as despesas familiares passaram a ocupar espaço nas avaliações dos eleitores sobre o desempenho presidencial.

Às vésperas da votação de 3 de novembro, os dados apresentados indicam que o custo de vida e a avaliação do governo Trump estão entre os principais fatores associados às preferências partidárias, em uma eleição que determinará a relação entre a Casa Branca e o Congresso até 2028.

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