PGE PEDIU INVESTIGAÇÃO DE 255 PERFIS SUSPEITOS DE FAVORECER FLÁVIO BOLSONARO E ATACAR LULA
Rede de contas no Instagram alcançou 58 milhões de visualizações em um mês com conteúdos produzidos por inteligência artificial; Procuradoria cobra providências da Meta
Lula e Flávio BolsonaroCRÉDITO: RICARDO STUCKERT/PR I REPRODUÇÃO/BAND
Segundo informações publicadas pela jornalista Manoela Alcântara, do Metrópoles, o pedido foi apresentado após um levantamento do Instituto Democracia em Xeque identificar 1.204 publicações distribuídas entre os perfis investigados. Em apenas um mês, a rede acumulou 58 milhões de visualizações. Do total de postagens analisadas, somente 12,9% apresentavam identificação do uso de inteligência artificial.
O documento encaminhado à Justiça Eleitoral foi assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, que pede uma análise individualizada das 255 contas pela Meta, empresa responsável pelo Instagram. A Procuradoria quer que a plataforma apresente, no prazo de 24 horas, informações sobre eventuais irregularidades e as providências adotadas em relação a cada perfil.
A iniciativa ocorre após a PGE considerar insuficientes as explicações apresentadas pela empresa sobre um primeiro conjunto de contas suspeitas. Para o órgão, a plataforma ainda não esclareceu se examinou toda a rede identificada pelo instituto, apesar da divulgação pública do levantamento em setembro.
Meta analisou apenas parte das contas suspeitas
Em manifestação encaminhada à Procuradoria, a Meta informou ter examinado 35 perfis mencionados inicialmente em uma reportagem sobre o caso. Desse grupo, sete foram desativados depois da apuração, quatro já estavam fora do ar e outros 24 foram considerados em conformidade com as regras da plataforma.
A resposta, entretanto, não satisfez o Ministério Público Eleitoral. A PGE destacou que o relatório do Instituto Democracia em Xeque estava disponível publicamente desde 22 de setembro e que a empresa não havia apresentado esclarecimentos quando procurada anteriormente.
No documento enviado ao TSE, a Procuradoria questiona a demora na adoção das medidas e a ausência de informações sobre a totalidade das contas suspeitas.
“Registra-se, ainda, que o relatório do instituto era público desde 22.9.2026, que a plataforma nada respondeu quando procurada e que sete contas só foram desabilitadas após a determinação deste juízo. A investigação que a manifestação de 15.10.2026 reputa concluída alcançou as 35 contas identificáveis na reportagem; a relação integral, juntada posteriormente sob sigilo, permanece sem notícia de exame pela plataforma”, afirma o documento.
A manifestação evidencia a divergência entre a avaliação da Meta, que considerou concluída a análise das contas inicialmente apontadas, e a posição da Procuradoria, que cobra uma investigação abrangente dos 255 perfis identificados no levantamento.
Procuradoria aponta possível descumprimento de ordem judicial
Outro ponto considerado prioritário pela PGE envolve uma conta suspeita de ter sido criada para substituir um perfil anteriormente bloqueado por determinação da Justiça Eleitoral.
Nesse caso, a preocupação não se limita à eventual violação das políticas de moderação do Instagram. A Procuradoria aponta a possibilidade de descumprimento de uma decisão judicial, caso seja comprovado que a nova conta foi utilizada para contornar a restrição imposta ao perfil original.
“Comporta tratamento imediato, contudo, a conta criada em substituição a perfil bloqueado por ordem da Justiça Eleitoral. Neste recorte não há moderação a ponderar, e sim possível burla à decisão judicial. Cabe determinar à representada que verifique de imediato, em seus registros de dispositivos e acessos, o vínculo entre as duas contas e, confirmado o liame e observado o alcance da ordem descumprida, promova a remoção em 24 horas, com comunicação ao juízo que proferiu a ordem originária.”
A medida solicitada prevê que a Meta examine seus registros técnicos de dispositivos e acessos para verificar uma possível ligação entre as duas contas. Caso o vínculo seja confirmado e a nova página esteja abrangida pela decisão anterior, a Procuradoria pede sua remoção em até 24 horas.
A empresa também deverá, caso a determinação seja acolhida, comunicar a providência ao juízo responsável pela ordem original de bloqueio.
Uso de inteligência artificial entra no centro da apuração
O volume de publicações identificado pelo Instituto Democracia em Xeque é um dos principais elementos que fundamentam o pedido de investigação. As 1.204 postagens analisadas alcançaram 58 milhões de visualizações em um intervalo de apenas 30 dias, segundo o levantamento.
Outro dado destacado é a baixa proporção de conteúdos que informavam o emprego de inteligência artificial. Apenas 12,9% das publicações apresentavam essa identificação, o que significa que aproximadamente 87% não traziam indicação do uso da tecnologia.
A ausência dessa informação, associada ao alcance das contas e ao direcionamento político das publicações, levou a Procuradoria a cobrar esclarecimentos mais detalhados da plataforma.
Os números, por si só, não demonstram que todas as contas tenham cometido infrações eleitorais. A investigação solicitada busca justamente determinar se houve irregularidades, identificar eventuais violações e estabelecer quais providências devem ser adotadas.
O processo está sob responsabilidade do ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, que ainda não havia decidido sobre os pedidos apresentados pela PGE até a publicação das informações.