LULA REPUDIOU DECISÃO DO BOLSONARISTA, NUNES MARQUES PELA SUSPENSÃO DO CANAL DE JANONES, ‘EXÉRCITO DE LULA’: “NÃO VAMOS ACEITAR INTROMISSÃO INDEVIDA DA JUSTIÇA ELEITORAL”

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Presidente acusa Justiça Eleitoral de favorecer candidatura adversária e anuncia ação para contestar decisão que bloqueou canal com mais de 3 milhões de seguidores

CRÉDITO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou neste domingo (11) a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp.

Em declarações a jornalistas, Lula acusou a Justiça Eleitoral de tomar decisões tendenciosas contra sua candidatura e afirmou que o partido recorrerá à Justiça para contestar o que considera um desequilíbrio na disputa eleitoral.

“Já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura e nós não vamos permitir que seja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas que querem votar em mim”, declarou o presidente.

Lula também criticou a atuação do comando da Justiça Eleitoral e defendeu que o processo eleitoral transcorra sem interferências indevidas. “Não é possível que o presidente da justiça eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da justiça”, afirmou.

A decisão de Nunes Marques foi tomada neste domingo (11), em resposta a uma representação apresentada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A campanha do parlamentar acusou o canal de promover a disseminação coordenada de informações falsas contra sua candidatura.

A ordem estabelece que o WhatsApp interrompa o funcionamento do canal em até três horas após a notificação. A restrição impede novas publicações e a entrada de seguidores até a homologação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Lula questiona tratamento dado às campanhas nas redes

Questionado sobre um possível desequilíbrio nas redes sociais e a ocorrência de interferência externa, Lula afirmou que considera favorável à sua candidatura o desempenho de seus apoiadores no ambiente digital. O presidente relacionou essa mobilização às decisões judiciais que atingiram canais e participantes ligados à campanha petista.

“Eu vejo que na rede social nós estamos ganhando o jogo. Eu sei que o nosso povo está muito ativo, está trabalhando demais, está postando muita coisa e é por isso que eu estou desconfiado do comportamento da Corte Eleitoral que tem bloqueado muita gente nossa e tem permitido que as ações deles continuem existindo”, disse.

Na sequência, Lula anunciou que o PT apresentaria uma medida judicial para questionar a condução da disputa nas plataformas digitais. “Nós vamos hoje, sabe, entrar na justiça com o pedido do nosso partido para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar a intromissão indevida da justiça eleitoral”, afirmou.

Canal reúne mais de 3 milhões de seguidores

O “Exército do Lula” foi criado por André Janones para organizar a atuação de apoiadores do presidente nas redes sociais. O canal cresceu rapidamente durante os primeiros dias após o primeiro turno e ultrapassou 3 milhões de seguidores, tornando-se um instrumento de mobilização digital da campanha petista.

Na decisão, Nunes Marques considerou que o espaço funcionava como uma estrutura centralizada de distribuição de conteúdos políticos, incluindo publicações que, segundo a avaliação do magistrado, já haviam sido consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral.

A representação de Flávio Bolsonaro citou, entre os conteúdos questionados, acusações de supostos vínculos do candidato com milícias e alegações de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Também foram contestadas publicações que atribuíam ao senador planos de reduzir aposentadorias, benefícios assistenciais e reajustes do Bolsa Família.

A campanha de Flávio apresentou essas mensagens como exemplos de desinformação eleitoral. Nunes Marques entendeu que a retirada de publicações isoladas não seria suficiente para interromper a circulação do material questionado.

A determinação se restringe ao canal do WhatsApp e não estabelece uma proibição geral de uso do aplicativo por Janones. O ministro também determinou que a empresa informe ao TSE, em até 48 horas, quais providências adotou para cumprir a ordem e identifique eventuais outros canais vinculados ao deputado.

O WhatsApp deverá ainda preservar, por um ano, registros, mensagens e metadados associados ao canal suspenso. A possibilidade de impedir individualmente Janones de utilizar a funcionalidade de canais ficou pendente de análise, à espera de esclarecimentos da plataforma.

Campanha de Lula avalia medidas jurídicas

A coordenação da campanha petista também reagiu à suspensão e informou que avalia medidas para contestar a decisão. Em manifestação, o grupo afirmou: “Causa estranheza e revolta a decisão do ministro Nunes Marques e a campanha está analisando as medidas jurídicas cabíveis”.

Janones, por sua vez, criticou a determinação e convocou participantes do canal a compartilhar conteúdos em reação à suspensão. O deputado também anunciou a criação de um novo canal no Instagram para tentar manter a mobilização dos apoiadores de Lula.

A decisão ocorre em meio a outra disputa judicial apresentada por Flávio Bolsonaro contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e Janones. A ação solicita a cassação do registro ou diploma da chapa Lula-Alckmin e a declaração de inelegibilidade dos responsáveis por supostas práticas abusivas.

No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a defesa de Flávio apresentasse esclarecimentos adicionais sobre pedidos formulados na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). O magistrado também estabeleceu prazos para a apresentação de documentos e das defesas dos investigados.

O recebimento da ação não representa confirmação das acusações. A existência de eventuais irregularidades dependerá da análise das provas e do andamento do processo judicial.

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