LULA, NA PAULISTA, DIANTE DE MILHARES DE PESSOAS: “O BRASIL NÃO PODE PERDER A DEMOCRACIA”
Em ato na Paulista, presidente critica Bolsonaro pela pandemia, promete transformação tecnológica e pede mobilização de eleitores para o segundo turno
Luiz Inácio Lula da Silva na Avenida Paulista, em 11 de outubro de 2026.CRÉDITO: RICARDO STUCKERT
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (11) que o Brasil não pode abrir mão da democracia e defendeu a participação ativa da juventude nas decisões políticas do país. Em discurso durante manifestação de apoio à sua reeleição na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula fez duras críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente pela condução da pandemia de Covid-19, e apresentou propostas para um eventual novo mandato, incluindo investimentos em inteligência artificial, indústria digital, educação e segurança pública.
O presidente também convocou seus apoiadores a buscar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Diante de uma plateia com expressiva presença de jovens, Lula afirmou que a participação política é indispensável para preservar as instituições democráticas e promover mudanças no país.
“Esse país não pode perder a democracia, por pior que ela seja”, declarou Lula, ao defender que os brasileiros assumam responsabilidades na construção do futuro político nacional.
O petista disse que a democracia exige participação constante da sociedade e não pode ser sustentada apenas pela atuação de governantes e representantes eleitos.
“Porque o político bom está dentro de cada um de vocês. Ou vocês participam da vida política, ou ela não tem conserto”, afirmou.
Lula também destacou o papel da juventude na transformação da sociedade e defendeu que os jovens participem diretamente das decisões governamentais, em vez de apenas receberem políticas públicas formuladas sem sua contribuição.
“A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer as coisas de cima pra baixo”, disse.
Lula critica Bolsonaro e relembra mortes durante a pandemia
Um dos momentos mais contundentes do discurso foi dedicado às críticas à gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Lula responsabilizou politicamente seu antecessor pela postura adotada diante da emergência sanitária, especialmente pelo questionamento de recomendações científicas e pela defesa de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.
“Vocês sabem o que a família bolsonarista fez nesse país. Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo, asfixiadas por falta de oxigênio”, afirmou.
O presidente também fez referência às famílias que perderam parentes durante a crise sanitária e enfrentaram restrições para realizar despedidas e cerimônias funerárias.
“Assim vocês viram quantas milhões de pessoas foram enterradas em saco preto sem poder se despedir da sua família. Porque tivemos um presidente irresponsável que duvidou da ciência, que não acreditou na medicina, que receitou um remédio que não prestava para nada”, declarou.
As críticas de Lula fazem referência à atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia, período marcado por conflitos entre o então presidente e autoridades sanitárias sobre medidas de prevenção, vacinação e tratamentos contra a Covid-19.
O petista associou essas críticas à necessidade de preservar as conquistas democráticas e sociais do país. Em sua avaliação, a construção de políticas públicas exige esforços prolongados, enquanto sua desestruturação pode ocorrer rapidamente.
“Vocês sabem, na vida de vocês e na casa de vocês, que construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é muito simples. Para destruir, qualquer um destrói. Para fazer, são poucos que fazem”, afirmou.
Presidente diz que população quer mais do que superar a fome
O presidente lembrou que, ainda na década de 1980, o movimento sindical reivindicava melhores salários e a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas. Segundo ele, a percepção de que a atuação sindical era insuficiente para enfrentar os problemas estruturais do país contribuiu para a criação do PT e sua entrada nas disputas presidenciais.
Ao recordar o início de sua primeira passagem pela Presidência da República, em 2003, Lula afirmou que o combate à fome representava uma das principais prioridades de seu projeto político.
O presidente disse que, naquele período, identificou a existência de 54 milhões de brasileiros em situação de fome e estabeleceu como objetivo garantir que a população tivesse acesso às refeições diárias.
Agora, segundo ele, as reivindicações da sociedade se tornaram mais amplas.
“A gente não quer só comida. A gente quer cultura. A gente quer cinema. A gente quer estudar. A gente quer emprego de qualidade. A gente quer liberdade. A gente quer democracia”, afirmou, reproduzindo demandas que disse ter ouvido durante a campanha eleitoral.
Lula também destacou que a população deseja participar da formulação das políticas públicas e ter maior influência sobre as decisões tomadas pelo governo federal.
Para o presidente, a ampliação do acesso à alimentação precisa ser acompanhada da garantia de oportunidades educacionais, profissionais e culturais.
Lula promete revolução tecnológica e expansão dos empregos qualificados
O presidente apresentou a transformação tecnológica da economia brasileira como uma das prioridades de um eventual próximo mandato.
Lula afirmou que o Brasil precisa ampliar a formação de profissionais capazes de atuar em áreas relacionadas à inteligência artificial, à indústria digital e à transição energética, associando esses investimentos à geração de empregos de maior qualidade.
“É por isso que o nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica nesse país”, declarou.
O petista defendeu a expansão do ensino superior e afirmou que o número de pessoas com diploma universitário inseridas no mercado de trabalho aumentou significativamente desde o início de seu primeiro governo.
“Quando nós chegamos na Presidência, em 2003, o Brasil tinha apenas 4 milhões e 800 mil pessoas com diploma universitário no mercado de trabalho. Hoje, o Brasil já tem 26 milhões, e nós queremos 50, nós queremos 100”, disse, sem especificar os prazos para alcançar as metas mencionadas.
O presidente acrescentou que a ampliação do número de graduados precisa resultar em melhores condições de inserção profissional.
“E não é apenas o diploma, é o diploma carregado de emprego de qualidade”, afirmou.
Lula também defendeu investimentos na formação de profissionais especializados em novas tecnologias.
“A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial, a gente vai ter que formar muita gente na nova indústria digital, a gente vai ter que fazer a revolução energética”, declarou.
A segurança pública foi outro tema mencionado entre as prioridades de um possível novo governo. O presidente defendeu mudanças na estrutura de enfrentamento à criminalidade e prometeu ampliar a proteção à população.
“A gente vai ter que fazer uma revolução na segurança pública, porque nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos, para que a sociedade possa viver tranquila”, afirmou.
Lula pede mobilização de eleitores que não votaram no primeiro turno
O presidente também dedicou parte do discurso à necessidade de ampliar a participação eleitoral no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Lula afirmou que quase 30 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno e pediu que seus apoiadores conversem especialmente com pessoas mais velhas, para as quais o voto é facultativo a partir dos 70 anos.
“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar”, declarou.
O presidente ressaltou que o envelhecimento não diminui a importância da participação política e afirmou que os eleitores mais velhos continuam tendo responsabilidades com as próximas gerações.
“Que 60 anos ou 70 anos não transforma a pessoa em inútil”, disse.
Lula argumentou que as decisões eleitorais não afetam apenas quem participa diretamente da votação, mas também filhos, netos e bisnetos, razão pela qual considera necessário incentivar o comparecimento às urnas.
O petista também utilizou sua própria idade como exemplo para defender a continuidade da participação na vida pública.
“Se o Lula, com 81 anos de idade, está com a saúde que está, é porque eu quero provar que a idade não faz a gente ficar velho. O que faz a gente ficar velho é a falta de motivação, é a falta de compromisso”, afirmou.
Lula completará 81 anos em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais.
Ao encerrar o pronunciamento, o presidente reafirmou o compromisso de seu governo com a melhoria das condições de vida da população brasileira.
“Eu tenho um compromisso com o povo brasileiro. É garantir que esse país se transforme definitivamente numa grande nação de homens e mulheres vivendo um padrão de vida decente e digno”, declarou.
A manifestação na Avenida Paulista reuniu apoiadores do PT e integrantes de movimentos sociais em uma mobilização voltada ao segundo turno da eleição presidencial. O ato ocorreu após Lula terminar a primeira etapa da disputa atrás de Flávio Bolsonaro, seu adversário na votação de 25 de outubro.
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