MENSAGENS INDICAM QUE VORCARO TEMIA VAZAMENTO DE REUNIÃO COM BOLSONARO E FLÁVIO
Troca de mensagens via WhatsApp revela apreensão do dono do Banco Master com repercussão de encontro no fim de 2024
Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Daniel VorcaroCRÉDITO: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL | CARLOS MOURA/AGÊNCIA SENADO | REPRODUÇÃO/INSTAGRAM/@DANIELVORCAROBR | BRASIL 247/DALL-E
247 – Uma troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o empresário mineiro Flávio Carneiro revela que o executivo temia o vazamento de um jantar com Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), no final de 2024, informa reportagem da CartaCapital.
A conversa teve início no dia 8 de dezembro de 2024, quando Flávio Carneiro abordou o assunto pelo aplicativo WhatsApp. Na ocasião, o empresário questionou o banqueiro: “Thiago está cobrando se você vai num jantar com meu xará e com o pai dele, pelo que entendi, você está ciente disso?”. Em um primeiro momento, Vorcaro pareceu não compreender a abordagem e respondeu: “Não sei do que você está falando”.
Diante da resposta do interlocutor, Carneiro insistiu na pauta, mencionando a cobrança de um terceiro participante: “Você não está sabendo? Achei que eles tinham falado com você”. O empresário completou que quem cobrava um posicionamento era o “Thiago do Léo”. Foi a partir desta mensagem que o dono do Banco Master compreendeu a situação e demonstrou cautela: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro”.
No dia seguinte, 9 de dezembro de 2024, Vorcaro tomou a iniciativa de reabrir o diálogo para solicitar sigilo absoluto a Carneiro. “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”, escreveu o banqueiro. Carneiro ainda cumprimentou o empresário chamando-o de “cumpadre”, mas o executivo prosseguiu manifestando sua preocupação: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”. Pelos conteúdos das mensagens obtidas, não é possível confirmar se o jantar mencionado efetivamente ocorreu.
Para os investigadores que atuam no Caso Master, o termo “xará” utilizado na conversação refere-se ao senador Flávio Bolsonaro, ao passo que a expressão “pai dele” indica Jair Bolsonaro. Naquele período, Jair Bolsonaro não estava preso, contudo cumpria medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas a entrega obrigatória de seu passaporte, a proibição de se ausentar do país e a vedação de manter contato com outros investigados no processo que apurava a tentativa de golpe de Estado após o pleito eleitoral de 2022.
Fontes ligadas às investigações apontam que a pessoa identificada como “Thiago” é o publicitário e lobista Thiago Miranda, proprietário da Agência MiThi e, na época do envio das mensagens, sócio do Grupo Léo Dias de Comunicação. A sociedade comercial foi desfeita em maio de 2026, quando Miranda se tornou alvo da Operação Compliance Zero. O publicitário é suspeito de ter articulado a iniciativa denominada “Projeto DV”, voltada para a contratação de influenciadores digitais com a finalidade de questionar publicamente as decisões do Banco Central no processo de liquidação do Banco Master.