RELATÓRIO DA POLÍCIA FEDERAL COMPARA TRATAMENTO DADO A ACM E LULINHA EM AVALIAÇÕES DE MENDONÇA
Relatórios de inteligência mencionam possível diferença de tratamento probatório e classificam presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como “alvo estratégico”
No pedido encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pelo ministro Alexandre de Moraes para a apuração de possíveis irregularidades por parte do também ministro André Mendonça, os relatórios de inteligência da Polícia Federal comparam diretamente a situação de ACM Neto à de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Segundo o documento da Polícia Federal, em uma reunião realizada em 13 de agosto, Mendonça teria manifestado a percepção de que ACM Neto estaria exercendo uma atividade de representação de interesses “dentro dos limites permitidos”.
A PF, no entanto, aponta que a situação do ex-prefeito de Salvador teria “similaridade relevante” com a de Fábio Luís em outros contextos investigativos. A partir dessa comparação, o documento levanta a hipótese de que “padrões probatórios diferentes” estariam sendo aplicados, dependendo da identidade política da pessoa envolvida.
“Em reunião presencial de 13/8/2026, o relator manifestou percepção de que ACM Neto, candidato ao Governo da Bahia, aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido. A situação fática apurada quanto a ele guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva, o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”, pontua o documento.
O relatório segue dizendo: “O relator sugeriu que fossem separados, em petições distintas, os casos relativos a Antonio Rueda e ACM Neto, não obstante a conexão aparente entre as condutas. Registre-se a assimetria de tratamento: a separação é sugerida onde a unidade identifica conexão, ao passo que, no episódio de julho de 2026, a contrariedade do relator recaiu sobre desmembramento pela unidade justamente onde a conexão inexistia”.
Rueda e Alcolumbre: alvo estratégico e rota de acesso
De acordo com um dos trechos reproduzidos por Moraes em seu despacho, a Polícia Federal identificou que o senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, seria um “alvo estratégico” nas apurações conduzidas por André Mendonça.
“Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal”, diz o documento.
A PF também apontou que Mendonça poderia enxergar o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, como uma potencial “rota de acesso” para atingir ou pressionar Alcolumbre. “Avalia-se que o relator possa enxergar em Antonio Rueda rota de acesso a Acolumbre, com quem manteve desavença conhecida por ocasião de sua própria indicação ao Tribunal, no governo passado, quando aquele parlamentar representou grande empecilho à indicação.”
Na época da indicação de Mendonça por Jair Bolsonaro, Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado na ocasião, levou 142 dias (cerca de quatro meses e meio) para marcar a data de sua sabatina.