POLÍCIA FEDERAL APONTA ATUAÇÃO “ABERTAMENTE DEFENSIVA” DE MENDONÇA POR NUNES MARQUES
Publicado por Diario do Centro do Mundo
Um relatório de inteligência da Polícia Federal afirma que André Mendonça adotou uma postura “abertamente defensiva” diante de informações relacionadas ao ministro Kassio Nunes Marques. O tratamento contrasta com o interesse atribuído a Mendonça em abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes.
A acusação é reproduzida na página 14 da decisão do Inquérito 4.781 assinada por Moraes. O detalhamento aparece na página 43 do relatório de inteligência encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Mendonça pediu mais de uma vez que os investigadores apresentassem alguma provocação que permitisse iniciar uma apuração formal contra Moraes. Em relação a Dias Toffoli, o ministro teria adotado uma postura de contemporização, apesar de elementos já enviados pela corporação à Corte.
O documento afirma que a conduta de Mendonça diante de Nunes Marques foi ainda mais explícita. O relator teria sugerido à PF que acusações divulgadas pela imprensa contra Nunes poderiam fazer parte de uma estratégia destinada, na verdade, a enfraquecer o próprio André Mendonça.
“[O] caso que mais chama a atenção é o do ministro Kassio Nunes Marques, em relação ao qual o relator apresenta postura abertamente defensiva”, registra o relatório. Para a PF, a manifestação indicaria tratamento diferente entre autoridades que se encontravam em situações investigativas semelhantes.
O documento também menciona notícias sobre relações entre familiares de Nunes Marques, especialmente seu filho Kevin, e personagens ligados ao Banco Master. A existência dessas reportagens é tratada como fato, mas o relatório ressalva que elas não demonstram, por si sós, participação do ministro em qualquer irregularidade.
A própria PF classifica como baixa a confiança na acusação de tratamento diferenciado, porque o conteúdo se baseia em relatos que ainda não foram formalmente documentados. O relatório afirma que a hipótese precisa ser confirmada por uma comparação objetiva entre as providências adotadas em relação a Moraes, Toffoli e Nunes Marques.
Mendonça e Nunes Marques foram indicados ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora o relatório levante a possibilidade de que afinidades internas expliquem a diferença de tratamento, essa motivação permanece apenas como hipótese e não é apresentada pela PF como fato comprovado.