LULA REVELOU BASTIDORES DE CONVERSA COM TRUMP: “NÃO QUEREMOS INTERFERÊNCIA NO BRASIL”
Presidente usou ato em Minas para relatar telefonema com o americano e defender a soberania brasileira
Diante de apoiadores reunidos na Praça da Estação, Lula afirmou que contestou diretamente as justificativas usadas pelos Estados Unidos para impor novas tarifas ao Brasil e disse ter cobrado respeito à soberania brasileira.
O presidente também relatou que propôs a Trump uma atuação mais direta em busca de soluções para os conflitos internacionais e voltou a defender negociações para encerrar guerras.
Lula diz que contestou tarifas impostas pelos EUA
Segundo Lula, a conversa com Trump durou cerca de uma hora e meia.
Durante o telefonema, o presidente brasileiro afirmou ter questionado os argumentos utilizados por Washington para justificar as tarifas impostas ao Brasil.
“Eu comecei a dizer para o presidente Trump: a taxação que vocês fizeram ao Brasil é uma taxação não só irreal, como ela foi feita com base na mentira.”
Lula citou, entre os pontos apresentados pelos Estados Unidos, acusações relacionadas ao desmatamento e ao trabalho escravo.
O presidente afirmou ter contestado essas justificativas durante a conversa e sustentou que o governo brasileiro tem avançado nessas áreas.
Segundo Lula, o telefonema teve um resultado imediato.
“Ele reconheceu e hoje ele já pediu para o secretário de Comércio ligar para o nosso Márcio e já marcaram uma reunião.”
A referência é ao contato realizado após a ligação presidencial entre representantes dos dois governos para retomar as negociações comerciais.
“Não queremos interferência no Brasil”
Lula também afirmou que se colocou à disposição para ampliar a cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado.
Ao mesmo tempo, ressaltou que essa cooperação deve respeitar a soberania brasileira.
“Nós queremos trabalhar juntos. O que nós não queremos é interferência no Brasil.”
A questão da soberania tem ocupado espaço crescente nos discursos de Lula durante a campanha, especialmente após os embates comerciais e diplomáticos com o governo Trump.
No ato em Minas Gerais, o presidente voltou a relacionar respeito internacional à capacidade do Brasil de defender seus próprios interesses.
“Tem uma coisa que você tem que aprender: se a gente não se respeitar, ninguém respeita a gente.”
Lula propõe encontro para discutir paz
O presidente também relatou ter conversado com Trump sobre os conflitos internacionais.
Em tom descontraído, Lula disse ter sugerido que o americano reúna lideranças mundiais para buscar uma saída negociada para as guerras em andamento.
“Vamos tentar encontrar um jeito de fazer paz. O mundo está precisando de paz, não está precisando de guerra. O mundo está precisando de amor, não está precisando de ódio.”
Lula citou a Assembleia Geral das Nações Unidas, prevista para setembro, como uma oportunidade para intensificar esse diálogo entre as principais potências.
O presidente também mencionou Vladimir Putin ao defender conversas diretas entre os líderes envolvidos nos conflitos.
Lula coloca soberania no centro do discurso
O relato sobre a conversa com Trump ocupou parte relevante da participação de Lula no ato desta sexta-feira em Belo Horizonte.
Ao comentar as tarifas, a cooperação internacional e as guerras, o presidente construiu sua fala em torno de dois eixos: defesa da soberania brasileira e busca por soluções negociadas para conflitos internacionais.
Lula também voltou a afirmar que o Brasil está disposto a dialogar com os Estados Unidos, mas que esse diálogo não pode significar submissão.
A fala ocorreu poucas horas depois de representantes dos dois governos iniciarem contatos para preparar uma nova rodada de negociações sobre as tarifas impostas por Washington.