Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã |Crédito: Giuseppe Cacace/AFP
O Irã autorizou a travessia de alguns petroleiros iraquianos pelo Estreito de Ormuz, após solicitações enviadas pelo governo de Bagdá. A informação sobre a abertura excepcional da rota marítima foi divulgada neste sábado (22) pela agência estatal de notícias iraniana Irna e confirmada por lideranças do Iraque.
A medida de facilitação ocorre em um contexto de restrições de segurança na via marítima decorrentes da guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o país persa.
O fechamento da rota estratégica, por onde transitavam 20% de todo o gás natural liquefeito e do petróleo consumidos no mundo antes do conflito, foi agravado por um bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.
A economia iraquiana apresenta alta dependência das exportações de combustíveis fósseis e, de acordo com a agência Irna, o país vizinho não dispõe de rotas alternativas imediatas para escoar a maior parte de sua produção de óleo bruto.
Conforme informações da agência Reuters, a facilitação para a passagem dos cargueiros era uma das principais exigências formuladas por Bagdá na pauta de discussões com o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, em visita oficial ao país vizinho.
Conforme as diretrizes diplomáticas de Teerã divulgadas pela agência Irna, a circulação total de embarcações comerciais só será restabelecida quando os Estados Unidos suspenderem o bloqueio naval, encerrarem as sanções econômicas contra o setor petrolífero iraniano e devolverem ativos financeiros do Irã retidos em bancos no exterior.
A resistência diplomática do Irã ocorre no momento em que Washington endurece sua política externa na região, tendo anunciado sanções de isolamento a quaisquer instituições financeiras ou empresas de aviação que deem suporte a Teerã.
Em publicação no X, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a conduta coercitiva do governo estadunidense representa uma invasão da soberania extraterritorial e equivale a uma tentativa de retrocesso ao colonialismo clássico.