REAPROXIMAÇÃO ENTRE MICHELLE E FLÁVIO É IMPLODIDA POR ALIADO HISTÓRICO
Após o senador e pré-candidato do PL à Presidência publicar um vídeo pedindo desculpas, a ex-primeira-dama sinalizou uma trégua
Aseara política brasileira foi abalada no começo da noite de quinta-feira (23), quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais aceitando o pedido de desculpas de seu enteado, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).
Mas não foi, digamos, uma desculpa aceita “de braços abertos”. Michelle deixa claro que ainda quer se sentar com Flávio Bolsonaro e apresentar os seus termos que, levando em conta o momento em que estamos e o poder que Michelle acumulou ao rodar o Brasil como presidente do PL Mulher, envolvem candidaturas apoiadas por ela. Há quem diga que a ex-primeira-dama pode indicar a vice de Flávio. A conferir.
A trégua temporária de Michelle Bolsonaro traz alívio para Flávio, que, desde maio, quando vieram à tona os seus esquemas com Daniel Vorcaro, vive uma tormenta interminável de fatos negativos e viu a sua rejeição entre o eleitorado explodir, principalmente entre as mulheres, que devem ser decisivas na eleição deste ano.
No entanto, nem todo mundo do alto escalão bolsonarista está feliz com o aceno de Michelle para Flávio Bolsonaro. Allan dos Santos, youtuber e aliado histórico da família Bolsonaro, detonou o pedido de desculpas e debochou da ex-primeira-dama:
“Tadinha, ainda não sabe ler teleprompter.”
Provocado por um seguidor, que perguntou se ele botava fé no pronunciamento, Allan dos Santos disparou:
“Cai quem quer […] Qualquer um consegue ver a personagem e a atriz.”
Como se vê, o clima de paz está longe de ser alcançado no entorno de Flávio Bolsonaro.
Desesperado, Flávio Bolsonaro implora por apoio de Michelle: “Desculpa”
Abandonado pelo Centrão e enrolado até o pescoço em esquemas com Daniel Vorcaro, o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, publicou um vídeo em suas redes sociais, em completo desespero, no qual suplica pelo apoio de Michelle Bolsonaro.
Completamente desconfortável, Flávio Bolsonaro diz que é preciso unir a direita “em prol do Brasil” e, então, dirige-se a Michelle Bolsonaro:
“Eu quero, mais uma vez, me dirigir à Michelle. Todos nós reconhecemos o grande trabalho que ela fez no PL Mulher […] Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto […] Nunca foi a minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai […] As portas estão abertas.”
“Dark Horse”: Mendonça autoriza PF investigar milhões de Vorcaro para filme de Bolsonaro
André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar os milhões gastos na produção de Dark Horse, filme sobre a vida do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL).
A decisão, tomada após parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet, atende solicitação da própria PF e abre caminho para apurar se recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pedidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foram de fato usados na produção ou desviados para outras finalidades, incluindo despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e ações de lobby político junto ao governo Donald Trump.
Gonet concluiu que há elementos suficientes para a abertura formal do inquérito que apure os repasses relacionados ao filme Dark Horse.
A relatoria do caso chegou a Mendonça por definição do presidente do STF, Edson Fachin, no fim de junho. O percurso institucional, portanto, passou pela PF, pela PGR e pelo próprio Supremo antes de resultar na autorização.
O fato de a investigação ter sido impulsionada pela própria cúpula da Polícia Federal, com o aval do Ministério Público e a chancela do Supremo, confere ao inquérito um peso que vai além de uma disputa político-partidária: é o aparato de persecução penal do Estado pedindo para investigar a família do ex-presidente.
O que a PF vai investigar
No centro da investigação está o destino dos milhões enviados por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ao exterior.
Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em entrevista à GloboNews em junho, “há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios”.
O ponto de partida é a solicitação feita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, ao ex-banqueiro, sob a justificativa de financiar o longa-metragem sobre o pai.
Uma das principais suspeitas da PF é que parte dos valores tenha bancado despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele reside.
A PF também quer apurar se os recursos foram usados para ações de aliados de Jair Bolsonaro junto ao governo Trump.
O caminho financeiro investigado envolve a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, que teria transferido os valores a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas.
Reações e posicionamentos anteriores
Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre a decisão de Mendonça até o momento. Anteriormente, o senador já havia negado qualquer irregularidade, afirmando que a solicitação a Vorcaro foi feita exclusivamente para o filme e que os aportes foram direcionados a um fundo com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, classificou as suspeitas da PF de “toscas” em maio, argumentando que seu status de migração nos EUA à época vedaria o recebimento de valores. “Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, afirmou, acrescentando ter explicado às autoridades americanas “toda a origem” de seus recursos.
O caso ganhou tração institucional depois da divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro para o longa-metragem.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o STF com base nessa revelação, pedindo investigação. A PGR, no entanto, se manifestou pelo arquivamento do pedido de Lindbergh, e foi a solicitação da própria PF que prevaleceu como gatilho para o inquérito agora autorizado por Mendonça.