TRUMP BUSCA AMPLIAR INGERÊNCIA NA AMÉRICA LATINA E AJUDAR FLÁVIO, MAS PODE BENEFICIAR LULA

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TAXAÇÃO

Para analistas, taxas de 25% contra o Brasil tentam desgastar o governo federal, porém são um erro de cálculo político

Donald Trump afirmou que “morreria uma civilização inteira para nunca mais ser ressuscitada” | Crédito: Mandel NGAN / AFP

Assim como a tentativa de tarifaço de 2025 por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a decisão desta quarta-feira (15) em taxar produtos brasileiros em 25% tem motivação política. A declaração foi do chanceler Mauro Vieira, que também criticou publicação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificando-a como “grosseira” e “arrogante”.

“Claramente o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, afirmou o ministro das Relações Exteriores brasileiro.

Assim como em 2025, quando a ameaça era de taxação de 50% sobre produtos, o argumento usado oficialmente continua sendo um falacioso equilíbrio da balança, já que a relação comercial entre os dois países é superavitária pelo lado dos Estados Unidos.

Professor e pesquisador de Relações Internacionais, Ricardo Leães concorda com o chanceler e destaca a inépcia como uma característica já tradicional na diplomacia dos EUA. “Eles acreditam que o mundo tem que ser a sua imagem e semelhança, de acordo com os seus interesses, com as suas conveniências. Todos os países que minimamente desafiam a ordem imposta pelos Estados Unidos são colocados no ostracismo, sofrem uma enorme pressão econômica, diplomática, militar. Isso não começou com Donald Trump. Isso tem sido assim ao longo das últimas décadas”, destaca em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Leães, no entanto, pondera que esse cenário se ampliou com a eleição do atual líder de extrema direita estadunidense. “A intenção de Donald Trump é subjugar a América Latina. Não importa o fato de que o presidente Lula foi até a Casa Branca, se mostrou diplomático, cordial, porque o que os Estados Unidos querem, efetivamente, é que a pessoa que governe aqui no Brasil simplesmente atenda a todas as ordens que vierem de Washington”, pontua.

Ainda segundo o analista, “os EUA têm uma visão imperialista das relações internacionais e consideram que punir países que não estejam dispostos a fazer as suas vontades é uma necessidade pedagógica”.

A culpa é do Flávio

O professor de Relações Internacionais Ricardo Leães encara o tarifaço ainda como um instrumento de ingerência de Trump nas eleições brasileiras de outubro. “A intenção é prejudicar o Brasil para viabilizar um cenário mais facilitado para o Flávio Bolsonaro vencer as eleições. Até me parece que é um erro de cálculo bem grande, porque, se isso vai produzir qualquer efeito eleitoral, vai ser no sentido contrário”, avalia, lembrando que Flávio chegou a pedir para que os EUA esperassem o pleito para iniciar a taxação.

Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), é evidente a tentativa da extrema direita brasileira de usar o tarifaço para prejudicar Lula. Contudo, a exemplo do que aconteceu no ano passado, Ramirez acredita que o presidente e candidato à reeleição pode sair fortalecido.

“Após a instauração do primeiro tarifaço, as pesquisas de popularidade do governo Lula mostraram uma acentuação do seu índice de aprovação. E não deve ser diferente nesse momento, já que o ataque à soberania nacional, a ideia de que é uma sabotagem realizada pelos Estados Unidos, com apoio dos bolsonaristas, faz com que, principalmente, esse público moderado tenda a olhar o Lula como um defensor dessa soberania e, consequentemente, afastar ainda mais votos de Flávio Bolsonaro”, argumenta.

Ele acredita que grandes articulações serão necessárias para redirecionar a produção brasileira a outros mercados. Caso dê certo, Lula poderá sair fortalecido. Além disso, o especialista acredita que a decisão de Trump é tão focada nas eleições que, caso Lula seja reeleito, “a tendência é que os Estados Unidos recuem dessa medida”.

Já em relação à campanha de Flávio, o cientista político avalia que o Banco Master segue um problema maior do que as taxas estadunidenses.

“O tarifaço engaja os bolsonaristas com argumento de que o Brasil supostamente estaria sendo destruído economicamente, politicamente pelo governo Lula. Então, a tendência é que ele mantenha esse apoio diante desse discurso absurdo. Mas o Banco Master vem exatamente na contramão do que falsamente os bolsonaristas sempre pregaram, que é a questão da luta contra a corrupção, quando, na verdade, a família Bolsonaro está enrolada até o pescoço com situações que não se limitam ao Banco Master”, reforça.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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