EFEITO DO NOVO TARIFAÇO SERÁ REDUZIDO POIS BRASIL JÁ REDIRECIONOU MERCADO PARA OUTROS PAÍSES, AVALIA ECONOMISTA

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NEM CÓCEGAS

José Luis Oreiro explica que, desde tarifaço de 2025, país já vem estreitando laços com a China e a União Europeia

Governo federal aciona a Lei de Reciprocidade após Trump anunciar taxação de 25% nos produtos brasileiros | Crédito: © Antônio Cruz/ Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decretou o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros nesta quarta-feira (15) e gerou resposta imediata do governo Lula, que planeja acionar a Lei de Reciprocidade.

Assim como aconteceu na taxação anterior, em agosto do ano passado, os EUA tiraram alguns produtos considerados essenciais da lista, como café, carne bovina e suco de laranja. Ainda assim, a taxação incidirá em produtos majoritariamente da área industrial e alguns agrícolas, como máquinas, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns produtos de alumínio.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o economista José Luis Oreiro, professor do departamento de economia da Universidade de Brasília (UnB), aponta que o impacto para a economia brasileira é menor do que o que Trump quer fazer crer no discurso. Oreiro avalia que, por causa do tarifaço do ano passado, o mercado brasileiro buscou outros parceiros comerciais e já se acomodou na nova realidade.

“De lá para cá, parte do comércio que o Brasil fazia com os EUA foi desviado para a China e para a União Europeia. A participação dos EUA nas exportações brasileiras está no seu mínimo histórico. O mercado estadunidense representa menos de 10% das exportações brasileiras. Essas medidas anunciadas ontem afetam aproximadamente 40% das exportações brasileiras”, explica.

José Luis Oreiro afirma que, se a extrema direita dos EUA queria trazer, de alguma forma, o Brasil para mais “perto da sua órbita de influência”, a medida produziu o efeito contrário. “Vai colocar o Brasil ainda mais no polo da China e, em segundo lugar, da União Europeia”, resume.

O economista também avalia que a aplicação da Lei de Reciprocidade é uma praxe e que o impacto mais forte será na indústria de transformação no Brasil. “O que a indústria vai ter que fazer é o que já vem fazendo nos últimos 12 meses, que é direcionar essa produção para outros mercados. O governo brasileiro vai ter que adotar medidas de incentivo, como algum tipo de isenção fiscal, algum crédito no BNDES, enquanto elas estão procurando novos mercados. Mas eu não tenho dúvida de que esse efeito sobre a economia brasileira vai ser muito reduzido. Embora ele se concentre no setor que é nosso filé mignon, que é a indústria de transformação, o efeito global será pequeno”, analisa Oreiro.
Editado por: Gia Matheus Almeida

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