RINCON SAPIÊNCIA LANÇOU ‘UM CORPO PRETO’ E REJEITA PAPEL DE HERÓI: ‘É MEU PONTO DE VISTA INDIVIDUAL’
afinsophia 07/07/2026 0
DE VOLTA APÓS 7 ANOS
Rapper explica como usou o tempo para tensionar ideias, amadurecer sua obra e criar uma identidade marcante para o álbum
Rapper, compositor, produtor e roteirista, Rincon Sapiência lança seu novo álbum, “Um Corpo Preto”, sete anos após o lançamento do anterior, “Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps”, de 2019. O artista afirma que o tempo que levou entre os dois trabalhos foi fundamental para refletir sobre os caminhos do seu trabalho e reprogramar algumas rotas.
Rincon também avalia a sua trajetória de composições, como foi amadurecendo e compreendendo o lugar também de, musicalmente, fazer aquilo que tem sentido. “Quando eu identifiquei que o trabalho estava com esse teor racializado, eu identifiquei que não queria fazer um trabalho heroico, ser aquele cara que é o porta-voz da minha comunidade, do meu bairro, da comunidade preta, levar o que todo mundo quer dizer através da minha música e potencializar isso. Não! É o meu ponto de vista individual sobre as minhas demandas, sobre o que eu preciso fazer”, sintetiza.
O artista destaca que, no novo álbum, teve uma grande preocupação com a identidade visual e a coesão. “As boinas, os broches de guerra, de confronto. Isso já me dá norte para criar um monte de coisas, de identidade visual, de roupa, de audiovisual”, explica. “Não é o que as pessoas têm focado prioritariamente, mas, para mim, a construção artística é muito necessária. Ter um álbum, não só esse que eu lancei, como outros também, porque isso vai desenhando a minha obra e a história que eu quero fazer como artista”, afirma.
Rincon Sapiência também fala sobre a pressão sobre posicionamentos dos artistas negros. “Um determinado artista que não seja preto faz o trabalho dele. Aí está acontecendo a guerra no Iraque, um monte de coisa lá, e as pessoas vão trazer uma atenção ao que ele fez, se ele usou um violão assim, se ele se influenciou pela música dos anos 1980, que seja, vão trazer a leitura. Para nós, sempre tem uma cobrança: ‘Caramba, você é um negão da periferia, você não está falando de tal coisa’. Então eu sinto mais essa coisa de uma expectativa que às vezes destoa do que a gente tem de fato para fazer e para entregar”, explica. “Mas eu acho que o que mais me pegou foi eu mesmo querer fazer um bagulho que chama atenção. Eu acho que eu queria fazer isso, de fato, e fiz”, defende.