DIA ESTADUAL DO FUNK EM SÃO PAULO: PERSEGUIDO PELA EXTREMA DIREITA, MOVIMENTO É PARTE DA CULTURA URBANA, AFIRMOU CURADORA
afinsophia 07/07/2026 0
ARTE CENSURADA
Renata Prado comenta potência da data para o gênero e critica fim antecipado de exposição no Museu da Língua Portuguesa
A promulgação da lei que instituiu o Dia Estadual do Funk em São Paulo completa 10 anos nesta terça-feira (7). A data homenageia o cantor paulista MC Daleste, morto em 7 de julho de 2013 em decorrência de um disparo de arma de fogo que o atingiu no abdômen durante uma apresentação em Campinas, no interior do estado.
A ativista alerta para um processo de perseguição do funk. “A gente sabe que, quando um jovem sai de casa para ir a um baile funk, pode ser que ele não volte com vida por conta da Operação Pancadão, desse sensacionalismo que a extrema direita faz com o movimento funk, que resulta em morte. Toda vez que um baile funk é assediado por um político de extrema direita, a polícia vai junto e, onde a polícia está, a gente tem resultado de morte.”
Em carta aberta nas redes sociais, Prado, que foi curadora da exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”, tratou como censura o fechamento antecipado da exposição exibida ao público no Museu da Língua Portuguesa. Apesar da previsão de seguir até 30 de agosto, a mostra foi encerrada em 31 de maio.
No mesmo mês do encerramento da exposição, o deputado estadual Tenente Coimbra (PL) tinha acionado o Ministério Público contra a mostra, alegando que existiam obras com apologia ao crime e ao tráfico de drogas.
A curadora ressalta que, para além de uma resposta sobre o fim antecipado da exposição, é preciso entender o que foi feito com o orçamento público. “Porque foi verba pública que foi investida nessa exposição. Ela saiu do pavilhão antes do tempo e nós temos o direito de saber, na condição de cidadãos, para onde foi o dinheiro dessa exposição, por que o caderno educativo não foi publicado.”
Sobre um possível retorno da exposição para o Museu da Língua Portuguesa, Prado diz que não está nos objetivos das pessoas responsáveis. “Nós, da cultura alternativa, criamos os nossos espaços. Então, essa exposição, por exemplo, está sendo convidada para ir a vários outros lugares. Os artistas estão recebendo convites para fazer trabalhos em outros lugares; o Museu da Língua Portuguesa talvez não seja tão mais importante.”
Procurada pelo Brasil de Fato, a gestão do Museu da Língua Portuguesa respondeu em nota que “A exposição ‘FUNK: Um grito de ousadia e liberdade’ foi encerrada em 31 de maio a fim de possibilitar a realização de duas novas mostras ainda este ano no Museu da Língua Portuguesa. ‘FUNK’ ficou em cartaz por seis meses, tempo médio de exibição das mostras temporárias da instituição”.