VORCARO PAGOU HOSPEDAGEM DE HUGO MOTTA EM LISBOA NO GILMARPALOOZA DE 2024

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Banqueiro fraudador também bancou o senador Ciro Nogueiro durante o período do evento. Ele exigiu o fechamento de um setor do hotel para que ninguém fosse visto durante confraternizações e reuniões

Por: Henrique Rodrigues: 16/06/2026 – 
– O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta – Imagem: GloboNews/Reprodução

Adevassa da Polícia Federal nas entranhas do Banco Master alcançou o coração do Congresso Nacional. Relatórios de análise de materiais apreendidos pelos investigadores revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro financiou secretamente as despesas de estadia em Portugal do atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O favorecimento financeiro ocorreu em junho de 2024, período em que a capital portuguesa sediava o 12º Fórum Jurídico de Lisboa, evento conhecidos nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”, por ser organizado pelo grupo educacional do ministro Gilmar Mendes, do STF.

As mensagens interceptadas expõem não apenas a promiscuidade entre os poderes econômico e o político, mas uma obsessão quase paranoica por parte do banqueiro para que o encontro de cúpula ficasse longe de olhos indiscretos.

Blindagem no Four Seasons e “Operação Silêncio”

De acordo com os relatórios da PF, o planejamento da viagem começou a ser desenhado no dia 18 de junho de 2024. Em comunicações diretas com um de seus auxiliares de confiança, Daniel Vorcaro ordenou que fossem feitas reservas de suítes de alto luxo no prestigiado hotel Four Seasons de Lisboa para o período de 24 a 30 daquele mês. No comando, o banqueiro foi explícito ao definir os beneficiários: além de acomodações para si próprio, exigiu mais dois quartos destinados a “Ciro e Hugo”.

À época do agito jurídico-político em Portugal daquele ano, a presidência da Câmara ainda era ocupada por Arthur Lira (PP-AL), que também marcou presença no fórum, mas Hugo Motta, que assumiria o comando da Casa apenas em fevereiro de 2025, já desfrutava da ala VIP financiada pelo dono do Master.

O que mais chamou a atenção dos investigadores federais, contudo, foi o forte esquema de contrainteligência montado por Vorcaro no hotel para garantir o sigilo das reuniões. Numa mensagem interceptada, o banqueiro demonstra extrema preocupação com o fluxo de pessoas na cidade e ordena o bloqueio visual de áreas públicas do estabelecimento.

Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro, cobrou Vorcaro de seu assistente.

A PF aponta que a exigência de “privatizar” o espaço externo do restaurante tinha como único objetivo erguer uma barreira que impedisse qualquer um de flagrar quem entrava, saía ou o que era discutido nas confraternizações reservadas do grupo.

O elo financeiro e as mesadas do PP

Embora Hugo Motta apareça como o foco central do monitoramento dessa hospedagem específica, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, já é um alvo antigo e carimbado nos radares da Operação Compliance Zero. Em maio deste ano, o ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro foi alvo de mandados de busca e apreensão em seus endereços residenciais e funcionais.

A linha de investigação da Polícia Federal aponta que as gentilezas de Daniel Vorcaro em hotéis europeus eram apenas a ponta do iceberg. A suspeita principal é de que Ciro Nogueira mantinha um canal direto de abastecimento financeiro operado por Felipe Vorcaro, primo do banqueiro.

Os investigadores mapearam uma engenharia de pagamentos mensais fixos que irrigavam o caixa do senador. Inicialmente, a mesada estaria fixada em R$ 300 mil, mas os indícios colhidos pela PF sugerem que o repasse foi inflado posteriormente para a impressionante cifra de R$ 500 mil mensais. Além do dinheiro vivo, o grupo cobria despesas extravagantes de Ciro, como deslocamentos constantes em jatinhos particulares.

Até o momento, Hugo Motta e Ciro Nogueira não se pronunciaram sobre as descobertas divulgadas pela Polícia Federal no âmbito do inquérito que apura as fraudes no Banco Master.

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