ATLASINTEL REAGIU AO TSE APÓS NUNES DERRUBAR PESQUISA QUE MOSTROU DERRETIMENTO DE FLÁVIO BOLSONARO

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Tribunal Superior Eleitoral acatou ação do Partido Liberal, que acusa o instituto de manipular os entrevistados

Por: Marcelo Hailer: 08/06/2026 – 
Flávio Bolsonaro – Reprodução
08:54

OTribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio de uma decisão monocrática do ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente da Corte eleitoral, acatou ação do Partido Liberal e determinou a nesta segunda-feira (8) a suspensão da última da AtlasIntel que revela queda vertiginosa de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República. O argumento central do PL é que o levantamento manipulou os entrevistados.

Em nota enviada à imprensa, a AtlasIntel afirmou que vai respeitar a decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. O instituto disse que está colaborando com a Justiça Eleitoral e fornecendo todos os esclarecimentos metodológicos solicitados.

A pesquisa foi questionada pelo Partido Liberal, que acusa o instituto de ter manipulado os entrevistados por meio da apresentação de um áudio ligado a Flávio Bolsonaro. A AtlasIntel nega qualquer indução e afirma que o material alvo da controvérsia não foi reproduzido durante a aplicação do questionário principal.

Segundo o instituto, os participantes responderam integralmente à pesquisa antes de qualquer contato com o conteúdo audiovisual. Somente após o encerramento definitivo do questionário, sem possibilidade de retorno às perguntas anteriores ou alteração das respostas já registradas, os respondentes eram direcionados para uma página separada, onde poderiam participar de um teste de reação ao áudio por meio da ferramenta Atlas VRC.

Instituto nega viés político

Na nota, a AtlasIntel também afirma que todo o desenho metodológico da pesquisa e a dinâmica de aplicação do teste de áudio foram conduzidos com rigor técnico e científico, com base em princípios de imparcialidade, transparência, integridade metodológica e qualidade estatística.

O CEO da empresa, Andrei Roman, declarou que não reconhece qualquer viés político na elaboração ou aplicação do estudo.

“A AtlasIntel pauta seu trabalho pela imparcialidade, rigor científico e precisão. Foi essa combinação que permitiu à AtlasIntel ganhar um destaque global e ser a empresa mais precisa em 102 eleições em todo o mundo nos últimos 7 anos, incluindo o 1º turno da recente eleição presidencial da Colômbia, na qual a AtlasIntel foi o único instituto a indicar a vitória do candidato oposicionista de direita Abelardo de la Espriella”, afirmou.

A empresa também sustenta que pesquisas posteriores realizadas por diferentes institutos identificaram o mesmo padrão de impacto do episódio sobre as intenções de voto do candidato do PL. Para a AtlasIntel, esse dado reforça que os resultados captados refletiam uma dinâmica real da opinião pública naquele momento, e não uma contaminação metodológica.

Como funciona o Atlas VRC

A controvérsia envolve o uso do Atlas VRC, ferramenta da empresa que mede a reação de uma amostra representativa da população a conteúdos audiovisuais. Segundo a nota, o recurso é aplicado em uma interface separada, depois que o questionário principal já foi concluído e computado.

Nessa etapa, a participação é voluntária. O respondente pode optar por não prosseguir. Caso aceite participar, ele utiliza uma interface visual para registrar, segundo a segundo, seu nível de aprovação ou desaprovação em relação ao conteúdo apresentado.

O vídeo só é reproduzido enquanto o participante mantém pressionado um botão localizado em uma barra de avaliação. O deslocamento para a esquerda indica percepção mais negativa do conteúdo, enquanto o deslocamento para a direita indica percepção mais positiva.

De acordo com a AtlasIntel, a ferramenta permite identificar pontos de inflexão positivos e negativos ao longo da reação do público ao material exibido, além de mapear como diferentes grupos demográficos respondem a trechos específicos do vídeo ou áudio.

Pesquisa ouviu mais de 5 mil pessoas

A pesquisa Atlas/Bloomberg teve como público-alvo a população adulta brasileira. Foram ouvidas 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos.

O instituto afirma estar confiante de que a situação será esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia utilizada. A empresa também diz confiar no colegiado do TSE para reconhecer a robustez técnica e a legalidade do estudo.

Na nota, a AtlasIntel afirma ainda que atua na fronteira da inovação em pesquisas de opinião pública e que novas metodologias, em muitos casos, antecedem a consolidação de entendimentos regulatórios e jurisprudenciais. O instituto diz estar disposto a colaborar com as autoridades eleitorais para o desenvolvimento de parâmetros que acompanhem a evolução das ferramentas de pesquisa.

Nunes Marques suspende AtlasIntel que mostra derretimento de Flávio Bolsonaro

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (9) a retirada do conteúdo e a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro.

A decisão atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal e impede que o instituto mantenha o levantamento em seus canais oficiais até nova deliberação da Justiça Eleitoral.

A pesquisa havia sido divulgada em maio, após o vazamento de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro em uma conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro. O levantamento registrou uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do pré-candidato do PL.

Ao analisar o caso, Nunes Marques afirmou haver indícios de que a estrutura do questionário poderia ter influenciado as respostas dos entrevistados, comprometendo a neutralidade da pesquisa.

Segundo o ministro, a controvérsia não se resume a uma divergência metodológica, mas envolve a suspeita de que o questionário tenha sido utilizado como mecanismo de indução das respostas.

“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, escreveu o magistrado.

A decisão individual ainda deverá ser submetida ao plenário do TSE para análise dos demais ministros em sessão prevista para esta terça-feira (10).

Questionário é alvo de contestação

Na ação apresentada ao tribunal, o PL argumentou que o questionário da pesquisa teria sido elaborado de forma a induzir avaliações negativas sobre Flávio Bolsonaro.

De acordo com o partido, das 49 perguntas aplicadas aos entrevistados, oito tratavam diretamente do Banco Master e foram apresentadas de forma sequencial. Na avaliação da legenda, a sequência teria criado uma narrativa capaz de influenciar a percepção dos participantes antes das perguntas sobre intenção de voto.

Segundo o pedido, o roteiro teria seguido uma progressão temática envolvendo medo eleitoral, comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro, suposta fraude financeira, Banco Master, Daniel Vorcaro, conversas vazadas, possível envolvimento do senador, impacto eleitoral e até eventual retirada de candidatura.

O PL também questionou a utilização de um áudio relacionado ao caso, argumentando que não haveria comprovação de sua autenticidade.

Na decisão, Nunes Marques afirmou que pesquisas eleitorais devem medir a opinião pública sem criar contextos que possam interferir artificialmente nas respostas dos entrevistados.

“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, destacou.

Instituto terá de apresentar explicações

O presidente do TSE também observou que outras 27 pesquisas realizadas anteriormente pela AtlasIntel não apresentaram questionamentos semelhantes nem utilizaram metodologia comparável à do levantamento contestado.

Com a decisão, o instituto deverá encaminhar ao tribunal documentação técnica complementar para comprovar a regularidade da pesquisa e esclarecer o uso do áudio mencionado no questionário.

O Ministério Público Eleitoral também foi acionado e deverá se manifestar sobre o caso.

A pesquisa em questão ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. O levantamento tinha margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

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