GABO, PAGU, FIDEL: CONHEÇA A TRAJETÓRIA DA PREMIADA ESCRITORA MARIA VALÉRIA REZENDE, AMIGA DOS REVOLUCIONÁRIOS

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LITERATURA

Escritora fará parte da programação da Feira do Livro 2026, que começa no sábado (30)

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Maria Valeria Rezende é um dos destaques da programação da Feira do Livro 2026 | Crédito: Adriano Franco

A premiada escritora Maria Valéria Rezende é um dos grandes destaques na programação oficial da Feira do Livro 2026, que acontece entre os dias 30 de maio e 7 de junho.

A escritora, que também é educadora popular, tradutora e freira da Congregação da Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho, participou do programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato. Na oportunidade, falou sobre o seu mais recente lançamento, o livro “Recapitulações” (Editora 34, 2026). 

Na obra, ela cria suas próprias versões, com pitadas de humor, de histórias famosas de autores clássicos como Machado de Assis e Franz Kafka, em formato de conto. Ela explica que esses textos foram escritos ao longo de 20 anos e são uma espécie de brincadeira com outros escritores.

“Tenho ‘Requadrilha’, no qual eu pego o famoso poema ‘Quadrilha’, do Carlos Drummond de Andrade, e reconto toda a história, de um modo que não é nada daquilo, foi outra coisa que aconteceu. São várias perspectivas, várias maneiras de encarar, mas sempre brincando com alguns escritos”, diz.

Durante a conversa, a escritora falou do seu convívio com figuras importantes da política nacional e internacional, como Patrícia Galvão, jornalista mais conhecida como Pagu.

“Geraldo [Ferraz] era o editor do jornal A Tribuna de Santos e ela escrevia várias colunas no jornal, cada uma assinando com um pseudônimo diferente. Ela terminava [o expediente] mais ou menos pelas 6 da tarde, e se sentava em um barzinho que tinha lá numa praça bem perto da minha casa. Ela tinha uma paciência incrível, porque os jovens, todos nós íamos sentar lá e conversar com ela, e eu todo dia passava lá para conversar. Isso foi uma coisa muito importante na minha vida, com certeza”, diz.

Ela conta ainda que conheceu Paulo Freire em Recife, nos anos 60. “Foi antes do período da campanha eleitoral que elegeu o [ex-presidente chileno, Salvador] Allende. Eu li a ‘Pedagogia do Oprimido’ original, datilografado e com correções escritas por ele”, conta.

Rezende diz ainda que se encontrou diversas vezes com o educador, sendo a última dias antes da morte dele. “Eu estava em um aeroporto, o céu estava fechado, todo mundo na sala de embarque esperava os voos recomeçarem e ele estava lá. Não era o mesmo voo que o meu, mas a gente conversou durante uma hora e meia, até que o nossos voos saíram e pronto. E daí uns dias depois veio a notícia da morte dele”, relembra.

Maria Valéria diz que o acaso sempre foi um elemento impactante na sua vida e que pretende um dia escrever sobre o assunto. Ela cita o acaso como um dos fatores que a fez ter uma convivência com o ex-presidente de Cuba, Fidel Castro. 

“De fato eu encontrava muito com Fidel, inclusive a primeira vez que eu me encontrei com ele, eu falei que a gente tinha acabado de fazer uma grande pesquisa sobre a vida dos trabalhadores da cana de açúcar aqui no Brejo da Paraíba. Eu ia várias vezes conversar com o Fidel, almoçar, jantar na casa dele. E por mero acaso, entende? Eu não sou ninguém especial, pelo contrário, eu nem era escritora nesse tempo, eu era uma formiguinha”, diz.

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