GABO, PAGU, FIDEL: CONHEÇA A TRAJETÓRIA DA PREMIADA ESCRITORA MARIA VALÉRIA REZENDE, AMIGA DOS REVOLUCIONÁRIOS
afinsophia 31/05/2026 0
LITERATURA
Escritora fará parte da programação da Feira do Livro 2026, que começa no sábado (30)
A premiada escritora Maria Valéria Rezende é um dos grandes destaques na programação oficial da Feira do Livro 2026, que acontece entre os dias 30 de maio e 7 de junho.
Na obra, ela cria suas próprias versões, com pitadas de humor, de histórias famosas de autores clássicos como Machado de Assis e Franz Kafka, em formato de conto. Ela explica que esses textos foram escritos ao longo de 20 anos e são uma espécie de brincadeira com outros escritores.
“Tenho ‘Requadrilha’, no qual eu pego o famoso poema ‘Quadrilha’, do Carlos Drummond de Andrade, e reconto toda a história, de um modo que não é nada daquilo, foi outra coisa que aconteceu. São várias perspectivas, várias maneiras de encarar, mas sempre brincando com alguns escritos”, diz.
Durante a conversa, a escritora falou do seu convívio com figuras importantes da política nacional e internacional, como Patrícia Galvão, jornalista mais conhecida como Pagu.
Ela conta ainda que conheceu Paulo Freire em Recife, nos anos 60. “Foi antes do período da campanha eleitoral que elegeu o [ex-presidente chileno, Salvador] Allende. Eu li a ‘Pedagogia do Oprimido’ original, datilografado e com correções escritas por ele”, conta.
Rezende diz ainda que se encontrou diversas vezes com o educador, sendo a última dias antes da morte dele. “Eu estava em um aeroporto, o céu estava fechado, todo mundo na sala de embarque esperava os voos recomeçarem e ele estava lá. Não era o mesmo voo que o meu, mas a gente conversou durante uma hora e meia, até que o nossos voos saíram e pronto. E daí uns dias depois veio a notícia da morte dele”, relembra.
Maria Valéria diz que o acaso sempre foi um elemento impactante na sua vida e que pretende um dia escrever sobre o assunto. Ela cita o acaso como um dos fatores que a fez ter uma convivência com o ex-presidente de Cuba, Fidel Castro.
“De fato eu encontrava muito com Fidel, inclusive a primeira vez que eu me encontrei com ele, eu falei que a gente tinha acabado de fazer uma grande pesquisa sobre a vida dos trabalhadores da cana de açúcar aqui no Brejo da Paraíba. Eu ia várias vezes conversar com o Fidel, almoçar, jantar na casa dele. E por mero acaso, entende? Eu não sou ninguém especial, pelo contrário, eu nem era escritora nesse tempo, eu era uma formiguinha”, diz.