‘SEM TRANSIÇÃO’, MANIFESTANTES FECHARAM A AVENIDA PAULISTA PELO FIM DA ESCALA 6X1

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TEM QUE SER JÁ

Enquanto Congresso discutia a redução de jornada, trabalhadores reivindicavam a jornada de 40 horas semanais

Manifestantes fecham a Avenida Paulista pelo fim da escala 6×1 | Crédito: Elineudo Meira/@fotografia.75

Nesta segunda-feira (25), mesmo dia em que a comissão especial do Congresso Nacional analisava o parecer do relator pelo fim da escala 6 por 1, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por trabalhadores exigindo a diminuição da jornada de trabalho de 44 horas e o direito de dois dias de descanso por semana.

Com gritos de “transição não”, os manifestantes caminharam por duas horas em uma das pistas da avenida desde o Museu de Arte de São Paulo (Masp) até a Praça Franklin Roosevelt, no final da Rua Augusta. Durante o dia, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que um acordo entre parlamentares prevê que a escala 5×2 e a redução de duas horas na jornada (de 44 para 42) devem entrar em vigor em até 60 dias após aprovação da PEC 221/2019 e que as duas horas restantes (de 42 para 40) serão reduzidas em até 12 meses.

“Não vai ter nenhum inimigo do povo que está lá em Brasília que vai impedir a vitória do povo brasileiro. Por isso, a gente não aceita nenhuma transição. A gente quer o fim da escala 6×1 na semana que vem, assim que acabar a votação no Congresso”, disse Ana Paula Perles, coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), logo no início da manifestação.

“Nós estamos em uma semana histórica. A redução de jornada sem redução de salário sempre foi uma luta das centrais sindicais e dos sindicatos. E essa semana, através do convencimento da sociedade, ao ganhar a opinião pública, o Congresso vai aprovar essa pauta tão importante para o trabalhador e para a trabalhadora. Só com mobilização nós vamos conseguir avançar pelo fim de escala 6×1 e a redução de jornada sem redução de salário, sem transição”, falou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, Wellington Damasceno.

“Quando você consagra um direito, não pode ter transição para viabilizar um direito. Essa é a velha história de ir empurrando com a barriga. Eu sou contra essa transição de um ano, porque, quando é para a classe trabalhadora, tem transição; quando é para os privilegiados, os burgueses, os empresários, os banqueiros, os latifundiários, não tem transição, é imediato”, disse o ex-deputado federal José Genoíno, que lembrou que a reivindicação de 40 horas semanais era uma pauta desde a constituinte de 1988.

A co-deputada estadual da Bancada Feminista Silene Maciel (Psol) destacou a importância da vitória para as mulheres. “Essa é uma semana decisiva; vamos derrotar essa escala de morte, essa escala da escravidão. E eu quero saudar as mulheres, que são a maioria da classe trabalhadora. Somos nós, mulheres, as mais afetadas com essa jornada de trabalho exaustiva”, disse.
Sindicatos e movimentos populares participaram da manifestação.
Sindicatos e movimentos populares participaram da manifestação. | Crédito: Elineudo Meira / @fotografia.75

Natálaia Boulos, do MTST, lembrou que, desde 1988, não houve redução da jornada no país e criticou os que são contra a mudança. “A verdade é que o debate do fim da escala 6×1 mostrou quem são os verdadeiros defensores da família nesse país. Mostrou que bolsonaristas se preocupam só com a família deles”.

A empresária Isabela Raposeiras também subiu no carro de som para defender não só o fim da escala 6×1, mas a implantação da escala 3×4. “Eu sou patroa e eu sou contra a escala 6×1. Há 20 anos que eu abro meu comércio e nunca cobrei a escala 6×1. Não existe argumento empresarial, nem econômico, porque as empresas que estão no 5×2 ou 4×3, como a minha, estão muito melhores. E aqueles que não querem a escala 6×1, sabe por quê? Eles não querem, porque são escravocratas”.

O último a falar foi Matheus Rigonatti, coordenador estadual em São Paulo do Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que pediu que a mobilização seja mantida essa semana. “Vamos nos mobilizar nos dias 27 e 28 na internet e nas ruas para mostrar que quem manda nesse país é o povo”, disse Rigonatti, que ainda destacou que, se o Congresso Nacional não aprovar o projeto, o Brasil entrará “em greve geral”.

Editado por: Luís Indriunas

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