MOISÉS MENDES: A PESQUISA QUE NÃO VALE UM LITRO DE DETERGENTE YPÊ
Publicado por Moisés Mendes
Essa é a ressalva que está no segundo parágrafo do texto da manchete: “O levantamento foi realizado na terça (12) e na quarta-feira (13). A maioria das entrevistas foi feita antes da revelação, pelo site Intercept Brasil, das conversas entre o filho de Jair Bolsonaro (PL) e o então dono do Banco Master”.
O vazamento das conversas pelo Intercept aconteceu no início da tarde de quarta. A pesquisa do Datafolha é feita geralmente até quinta-feira. A anterior foi feita entre 7 e 9 de abril. O dia 9 foi uma quinta.
Por que desta vez não abrangeu também esse dia da semana, exatamente o dia seguinte ao da bomba que abalou as estruturas do fascismo e ameaça sepultar a candidatura do filho ungido?
Por que desta vez a0 Folha não realizou pesquisas na quinta? Por que uma pesquisa feita na terça e na quarta só foi divulgada no sábado?
A Folha teve quarta, quinta e sexta-feira, mais a manhã de sábado, para mexer na panela da pesquisa e aparecer com esse empate. Surpreende? Não. Porque, claro, não pega a quinta-feira.
A Folha terá de explicar por que fez uma pesquisa fechada na quarta e guardou até agora, para manchetear esse empate. É jogo sujo, na avaliação de qualquer foca. Qual o valor jornalístico dessa pesquisa? Zero.
Temos um fato novo que não aparece na pesquisa, porque a Folha se negou a ir em frente e pesquisar também na quinta-feira e até na sexta. A Folha foi covarde. Mesmo que diga que as datas tenham sido registradas antes do escândalo.
Essa pesquisa sem valor algum é uma das maiores pilantragens do jornalismo. Não vale um litro de detergente Ypê. É picaretagem descarada. Não deveria ter sido publicada em manchete. Deveria ficar escondida num canto.