CHAMADO DE MENTIROSO, FLÁVIO BOLSONARO DISSE QUE MAIS VAZAMENTOS COM VORCARO APARECERÃO

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Publicado por Kiko Nogueira

Flávio Bolsonaro na CNN
O senador de extrema-direita Flávio Bolsonaro confessou nesta sexta-feira (15) que novas conversas, vídeos ou relatos de encontros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ainda podem vir a público, mas insistiu que toda a relação entre os dois teve como único objetivo a produção do filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, disse à CNN Brasil.

Segundo ele, Vorcaro investiu cerca de US$ 12 milhões — aproximadamente R$ 60 milhões — no longa “Dark Horse”. Flávio disse que o orçamento total previsto para a produção era de US$ 24 milhões.

“O que foi investido por ele nesse fundo privado, 100% privado, foi uma quantia um pouquinho superior a US$ 12 milhões”, declarou.

Durante a entrevista, Flávio também foi chamado indiretamente de mentiroso pela jornalista Débora Bergamasco.

“O senhor fala muito em ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’. Desculpe falar assim o português bem claro, mas o senhor foi pego na mentira”, falou a apresentadora. “Eu fui forçado a fazer”, balbuciou ele. “O senhor não deveria ter o compromisso da verdade com seu público?”

Flávio veio com a balela de que tinha “obrigação” de mentir porque “sabia que eles iam jogar sujo” e alegou que é perseguido.

As suspeitas envolvendo os recursos usados no filme surgiram após reportagens do The Intercept Brasil revelarem o investimento de Vorcaro na produção e tentativas de captar mais recursos para o projeto.

Polícia Federal suspeita que parte do dinheiro possa ter sido utilizada para financiar despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Segundo as investigações, os valores teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações para um fundo sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo.

Flávio voltou a negar qualquer benefício ao irmão e afirmou ter solicitado ao fundo americano e à produtora Go Up Entertainment a divulgação dos contratos e da prestação de contas do filme.

“Todos os recursos destinados a esse fundo privado dos EUA foram 100% investidos no filme”, afirmou.

O senador também comentou reportagem do Intercept segundo a qual Eduardo Bolsonaro teria atuado como produtor-executivo de “Dark Horse”, o que lhe daria influência sobre os recursos. Segundo Flávio, trata-se de um contrato antigo, firmado antes da estrutura criada nos Estados Unidos.

“Foi ali a plataforma legal para o Eduardo colocar dinheiro e segurar o roteirista, o Cyrus [Nowrasteh]”, disse.

Ele afirmou ainda que encontrou Vorcaro “poucas vezes”, sempre para tratar da produção cinematográfica e ressaltou que, à época do investimento, o banqueiro ainda não era alvo das investigações atuais.

“Era um astro. Circulava bem entre autoridades em Brasília e era cortejado por bancos”, declarou. Vorcaro teria sido procurado porque não estaria cumprindo o cronograma de aportes previstos no contrato.

“A última parcela de investimento que ele fez foi em maio de 2025. Portanto, não havia toda essa confusão que nós sabemos sobre a sua atuação”, alegou.

“Não tem possibilidade de aparecer nenhuma relação minha com o Daniel Vorcaro que não seja exclusivamente sobre o filme”.

Kiko Nogueira

Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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