EDUARDO BOLSONARO CONTROLAVA O DINHEIRO DE “DARK HORSE”, MOSTRA CONTRATO O QUE REVELA QUE MENTIU QUANDO DISSE QUE APENAS CEDEU O DIREITO DO FILME
Publicado por Caique Lima
Os registros contradizem declarações feitas por Eduardo, que afirmou ter apenas cedido os direitos de imagem para o filme. Um contrato datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente em janeiro de 2024 mostra Eduardo e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) como produtores-executivos da obra, ao lado da empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos.

Segundo o documento, os produtores teriam participação em atividades ligadas ao financiamento do longa, incluindo “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes”.
O contrato também menciona que Jair Bolsonaro cedeu os “direitos de história de vida” para a produção, inicialmente intitulada “O Capitão do Povo”.

Uma minuta de aditivo contratual de fevereiro de 2024 classifica Eduardo como financiador da produção e o autoriza a investir recursos no projeto. O texto afirma que ele se comprometeria a “financiar parcialmente a produção cinematográfica”. Não há confirmação de que o aditivo tenha sido formalmente assinado.

Mensagens trocadas entre o empresário Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias, e o banqueiro Daniel Vorcaro também apontam a participação de Eduardo nas articulações financeiras. Em uma conversa encaminhada a Vorcaro em março de 2025, Eduardo afirma: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo”.
Em seguida, acrescenta: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”.

Parte dos recursos negociados por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto a Vorcaro foi enviada ao fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas e ligado ao advogado Paulo Calixto, responsável pelo processo migratório de Eduardo nos Estados Unidos. A Polícia Federal investiga se valores destinados ao filme poderiam ter sido utilizados para custear despesas do deputado no exterior.
A GoUp Entertainment, produtora do longa, pertence à empresária Karina Ferreira da Gama e ao empresário Michael Brian Davis. Karina também é ligada ao Instituto Conhecer Brasil, ONG investigada pelo Ministério Público de São Paulo após receber R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo em contrato para implantação de wi-fi público.
O deputado Mário Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao instituto, caso que também entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os documentos mostram ainda que “Dark Horse” teria orçamento estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões, valor acima de várias produções recentes de Hollywood. O plano de negócios previa pacotes VIP para investidores, incluindo cadeiras no conselho de produção e até uma “oportunidade de imigração” para os Estados Unidos.