“Uma das opções do Irã em caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento de 90%. Vamos analisar isso no parlamento”, afirmou Ebrahim Rezaei, porta-voz do Legislativo iraniano, em publicação na rede social X.
Atualmente, o país possui cerca de 440 kg de urânio a 60%, nível já muito acima dos 20% permitidos para fins civis pelo Tratado de Proliferação Nuclear (TNP). Segundo especialistas, a transição de 60% para os 90% bélicos levaria apenas poucas semanas.
Diplomacia sob tensão
O ultimato de Teerã surge como resposta direta à postura de Washington. Donald Trump classificou a contraproposta iraniana como “lixo” e “totalmente inaceitável”, afirmando no Salão Oval que o cessar-fogo atual “respira por aparelhos”.
O republicano, que busca uma “vitória completa”, sinalizou a possibilidade de retomar os bombardeios, interrompidos pela trégua iniciada em 8 de abril.
O governo iraniano, por sua vez, classificou seu próprio texto como “legítimo e generoso”. Entre as exigências de Teerã para encerrar o conflito estão o fim do bloqueio naval, a liberação de ativos congelados em bancos estrangeiros e o pagamento de indenizações de guerra pelos americanos.
Impasse no Estreito de Ormuz
Um dos pontos centrais da discórdia é o controle do Estreito de Ormuz, via por onde escoa 20% do petróleo mundial. O Irã exige o reconhecimento de sua soberania sobre o canal, enquanto os EUA demandam supervisão internacional e garantias de que a rota não será fechada.
A instabilidade política já reflete na economia global. Os preços do petróleo subiram quase 3% nesta segunda-feira (11), impulsionados pelo receio de que o “Projeto Liberdade” — operação militar anunciada por Trump para liberar navios no estreito e depois suspensa — seja reativado.
Crise interna e nuclear
Apesar da retórica de força, o regime dos aiatolás enfrenta severa pressão doméstica. Estima-se que a guerra tenha causado a perda de um milhão de postos de trabalho em território iraniano. No campo nuclear, o país aceita suspender temporariamente o enriquecimento, mas rejeita desmantelar usinas, como exige a Casa Branca.
Sem uma nova rodada de concessões, as negociações entram em sua fase mais crítica desde o início da trégua, com o risco iminente de uma escalada nuclear que alteraria definitivamente o equilíbrio de forças na região.