CASO MASTER: NOVAS PRISÕES E CONCLUSÃO DE MORTE DE SICÁRIO EVIDENCIAM ‘CARACTERÍSTICA DE MÁFIA’

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CONLUIO

Para jurista Victor Barau, próximos meses podem revelar acordos entre setores público e privado em benefício próprio

Em meio às negociações pela delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro e pelo menos outros três investigados por suspeita de participação no esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes saiu em defesa da Corte. Nesta quinta-feira (23), o magistrado disse que o Master “tem endereço na Faria Lima”, não nos três Poderes, e que o caso revela “um problema mais profundo”, ligado à regulação e com possível participação do sistema financeiro.

Para Victor Barau, jurista, mestre e doutor em filosofia do Direito, a constatação a respeito da morte de Sicário não impacta objetivamente nos rumos da investigação mais ampla do Banco Master. Contudo, ela evidencia pistas da complexidade do caso.

“O fato de ele ter cometido um suicídio no momento em que foi preso reforça o senso de que esse ato foi cometido tomado num contexto exatamente de evitar a que se pudesse se descobrir novas situações e e especialmente modus operandi praticado pelo senhor Daniel Vorcaro num contexto que tem características de uma máfia”, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Barau defende que o caso Master deve ser analisado a partir de três pontos de vista: o da prática política dentro da administração pública, o de crise do capitalismo e do aspecto do andamento das investigações e as possibilidades de delação premiada.

No primeiro aspecto, o jurista destaca a instrumentalização da máquina pública para interesses pessoais no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “É o uso do Estado para benefício próprio. São atos que dificultariam o próprio exercício da atividade fiscalizatória que é inerente às instituições públicas do Poder Executivo, inclusive no que diz respeito ao Banco Central. Inclusive, nesse contexto, o próprio ex-presidente Bolsonaro, por diversas vezes declarava publicamente que ele não permitiria que em seu governo se prejudicasse interesses de pessoas que estavam alinhadas com ele, inclusive com seus próprios filhos”, destaca.

O enfraquecimento dos dispositivos fiscalizadores acabou criando terreno fértil para cometimento de atividades ilícitas. “Quando Gabriel Galípolo ingressou efetivamente no Banco Central em 2024 [no governo Lula], a partir daí e rapidamente se verifica toda essa situação e se toma uma medida extrema de liquidação extrajudicial, no caso do Banco Master, algo que vinha sendo acobertado, pelo que as investigações apontam”, explica.

Barau também discorre sobre o que chama de “capitalismo digital”, impulsionado pelas fintechs e que se baseia em um regime de acumulação a partir da valorização exponencial do dinheiro sem lastro na economia real, facilitando práticas como ocultação de recursos e lavagem de dinheiro através de influenciadores digitais.

Para ele, os próximos meses podem ser marcados por revelações que vão desnudar o conluio entre público e privado. “Virão revelações de novos modus operandi, no contexto da prática de crimes econômicos contra a ordem financeira econômica, mas não só isso. Haverá um espraiamento, especialmente com os atores políticos que deram suporte a todo esse crescimento específico do caso do Banco Master, em um conjunto político dentro de um contexto de uma disputa eleitoral e a desfaçatez desses membros da extrema direita de quererem desviar da bala acusando o outro”, critica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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