MST CONSOLIDA POLO CULTURAL NO CENTRO DE SP COM ARMAZÉM DO CAMPO, EXPRESSÃO POPULAR E ESPAÇO ELZA SORES

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EM SÃO PAULO

Os espaços do MST vêm transformando a dinâmica cultural da cidade

Espaço Cultural Elza Soares, no bairro Campos Elíseos | Crédito: Samuel Lavelberg

Entre prédios históricos e o agito do centro de São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fincou raízes na capital paulista, que se multiplicaram em cultura, política e memória. Longe de ser apenas um movimento agrário, o MST consolidou um polo cultural que convida quem percorre o centro de São Paulo a pensar um novo projeto de sociedade baseado na cultura, na literatura e na alimentação orgânica.

O Espaço Cultural Elza Soares, localizado na Alameda Eduardo Prado, é um dos pilares dessa transformação. Coordenado pela artista e psicóloga Ana Chã, o local se tornou um ponto de encontro e de efervescência cultural. 

“O Espaço Cultural Elza Soares é organizado, mobilizado pelo Movimento Sem Terra. E com esse espaço a gente busca ser um lugar de encontro, fundamentalmente. Encontro das pessoas — da região, mas também de fora”, explica Ana Chã.

Mais do que um simples ponto de encontro, o Espaço Elza Soares organiza suas atividades em quatro eixos fundamentais. Ana Chã detalha: “Um eixo da alimentação saudável, o eixo da cultura e da arte em si, o eixo da saúde e o eixo do esporte também”. Essa abordagem plural reflete a visão integral do MST, que busca promover não apenas a cultura, mas também o bem-estar e a sustentabilidade.
O imóvel que abriga o Espaço Cultural Elza Soares possui uma rica história, sendo tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). Já foi loja de carros e palco de festas rave, mas hoje, sob a gestão do MST, ultrapassa sua condição de patrimônio histórico para se tornar um “organismo vivo”, nas palavras de Ana Chã, com novos propósitos.

A conexão entre o campo e a cidade é um tema central nas atividades do espaço. Ana Chã ressalta a importância de trazer as raízes rurais para o contexto urbano. “Esse espaço cultural, a gente busca trazer um pouco do que é essa produção do alimento saudável, do movimento sem terra. Mas também trazer elementos da cultura popular, em especial aquelas de raízes mais rurais, mais do campo, que fazem também muito parte da cidade de São Paulo e da vida das pessoas”. 

Essa conexão se materializa de forma ainda mais palpável no Armazém do Campo, que nasceu das feiras de assentamentos e hoje se consolidou como a maior rede de distribuição de produtos da reforma agrária do país. 

Carina Ortega Faia de Souza, coordenadora do Armazém do Campo, enfatiza a dupla missão do comércio. “Tem essa proposta da comercialização dos alimentos da reforma agrária, mas também tem essa proposta de trazer alimentos da agricultura familiar, alimentos orgânicos, debater essa pauta da alimentação saudável dentro das cidades também”. O Armazém não é apenas um ponto de venda, mas um centro de debate e conscientização sobre comida de verdade.

Além da oferta de alimentos saudáveis e orgânicos, o Armazém do Campo também se destaca como um espaço cultural. “O Armazém também constrói esse local de pautar a cultura, a cultura nas cidades. Então trazer um pouco da cultura do campo para um centro urbano como São Paulo, desde rodas de viola, mas a gente também começa a trazer a questão do samba, as questões das artes, do artesanato”, explica Carina Ortega.

Complementando esse ecossistema cultural, a Livraria Expressão Popular, também localizada no centro de São Paulo, atua como um outro canal para o pensamento crítico. Com mais de dois anos de existência na capital, a livraria é uma extensão da editora de mesmo nome, que já soma 20 anos de história. 

Carla Loop, coordenadora da Expressão Popular, destaca a relevância de sua presença na cidade. “Estar em São Paulo, nesse ambiente tão diverso de cultura popular, é uma maneira de a gente pautar temas que são importantes para os trabalhadores e para as trabalhadoras”, diz.

A curadoria da Livraria Expressão Popular é focada na formação e na disseminação de conhecimento crítico. Carla Loop detalha os eixos principais. 

“A gente tem o eixo da agroecologia, que a gente entende, nossa proposta de agricultura, de reforma agrária, passa pela agroecologia. Um eixo dos clássicos do marxismo, que é aprender com quem já fez luta, com quem fez história, junto de outros processos de revolução, e um eixo que passa pelos estudos da conformação da classe trabalhadora”.

Os espaços do MST no centro de São Paulo representam mais do que pontos de comércio ou cultura, são manifestações de resistência e esperança, diz Carla. Eles oferecem àqueles que por ali passam a oportunidade de se conectar com ideias que promovem uma visão de mundo mais justa e solidária. 

“Acho que o centro nos convida a organizar espaços assim entre nós, entre os iguais, entre quem está preocupado com o quanto está difícil sobreviver e ter esperança nesse mundo tão caótico. Então quem passa por aqui tem a chance de alimentar um pouco dessas ideias, de aquecer o seu coração com essa forma de ver e pensar o mundo, que é crítica, que é de resistência, que é também de nos fazer ter esperança que o mundo pode mudar”, afirma Carla Loop.

Serviço:

Armazém do Campo e Livraria Expressão Popular 

Endereço: Alameda Nothmann, 806, Campos Elíseos, São Paulo – SP.

Horário de Funcionamento: Segunda a Sexta: 09:00 às 20:00.

Sábado: 09:00 às 19:00.

Espaço Cultural Elza Soares

Endereço: Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos, São Paulo.

O funcionamento varia conforme a programação da casa. 

Editado por: Thaís Ferraz

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