LUIS NASSIF: ALESSANDRO VIEIRA: ENTRE A PIROTECNIA DO “SHAZAM” E A IRRESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL E A IRRESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL
afinsophia 15/04/2026 0
O relatório é, em essência, uma ferramenta de omissão planejada e chantagem institucional, sustentada por grandes falhas estruturais.

É de uma leviandade absoluta a tentativa de indiciamento de três Ministros da Suprema Corte e do Procurador-Geral da República. Trata-se de uma fanfarronice que ignora o rigor dos fatos em nome do espetáculo. Em nenhum trecho do documento o relator aponta um único fato objetivo que comprove o beneficiamento do Banco Master por qualquer um dos magistrados. O texto limita-se a reciclar o que há de pior no submundo das fofocas jornalísticas.
Criminaliza-se o dever: o relatório cita o “incômodo” de delegados da PF com decisões de Dias Toffoli que visavam, exclusivamente, interromper vazamentos ilegais de inquéritos sigilosos. Ou seja, tenta-se transformar uma decisão moralizadora em crime para proteger a prática contumaz da ilegalidade. Se o Master financiou um resort frequentado por Toffoli, temos uma questão de ordem ética — e um delegado de carreira como Vieira deveria ter o discernimento jurídico básico para separar deslizes éticos de tipos penais.
1. O “Buraco Negro” dos Governadores e o Silêncio sobre os RPPS
O relatório elegeu o BRB (Ibaneis Rocha) como alvo por ser um front político conveniente. No entanto, silencia covardemente sobre a exposição massiva dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de diversos estados e municípios — o verdadeiro combustível que inflou o Master.
- A Omissão Consciente: O Master captou bilhões de fundos de previdência de servidores em administrações de variados matizes políticos:
- Rio de Janeiro (Cláudio Castro): ~R$ 970 milhões via Rioprevidência.
- Amapá (Clécio Luís): ~R$ 400 milhões.
- Amazonas (Wilson Lima): ~R$ 50 milhões.
- Prefeituras: Maceió/AL, Cajamar/SP e São Roque/SP (somas que superam R$ 270 mi).
- O Motivo: Investigar esses nomes revelaria que a blindagem do Master era capilarizada, unindo governadores na busca por rentabilidades artificiais (os famosos 140% do CDI).
2. O “Eixo XP”
O relatório ataca o Banco Central, mas protege o canal de escoamento. O colapso do Master é, antes de tudo, um escândalo de distribuição financeira.
- A Conexão Omitida: Grandes plataformas, como a XP Investimentos, foram as principais distribuidoras de títulos do Master, atingindo 1,6 milhão de CPFs.
- O Incentivo Perverso: Vieira evitou tocar nas taxas de rebate pagas a assessores para “empurrar” papéis de alto risco ao pequeno investidor. Enfrentar o lobby da Faria Lima não estava nos planos do senador.
3. O Triângulo Master-Reag-Besc
O documento cita pagamentos a escritórios, mas foge da autópsia financeira do “como” a lavagem ocorria.
- A Operação: O Master emprestava para empresas de fachada, que aplicavam em fundos da Reag Investimentos, que, por sua vez, adquiriam títulos podres do antigo Besc a preços inflados.
- A Falha de Prova: Sem periciar esses fluxos, Vieira estacionou na “suspeita de lobby” (imoral, mas de difícil condenação), fugindo da caracterização de fraude financeira estruturada.
Conclusão: O Relatório como “Dossiê de Gaveta”
O trabalho de Alessandro Vieira não busca justiça. Serve para enquadrar o STF em futuras negociações e isolar Roberto Campos Neto para justificar intervenções políticas no BC. Ao poupar as plataformas e a cadeia de RPPS, a CPI garante que o sistema continue operando — apenas aguardando o próximo operador para substituir o Master.
As perguntas que restam sem resposta são o veredito final sobre a seriedade desta CPI:
- Por que o Master pagou R$ 100 milhões em consultorias políticas justamente quando o BC discutia a regra dos precatórios?
- Qual a origem real dos R$ 954 milhões aportados por Vorcaro no último minuto? Seria o retorno de lucros evadidos?
- Por que nenhuma corretora explicou por que continuou vendendo Master mesmo após os alertas de “risco jurídico severo” do Banco Central em 2024?
Vieira entregou fofoca fantasiada de relatório; o país continua esperando pela verdade.