Materiais de estudo em meio aos escombros da Universidade Shahid Beheshti, em Teerã, após um ataque |Crédito: AFP
Esta terça-feira (7) foi marcada pelo tensionamento do conflito entre EUA-Israel e Irã, com radicalização das declarações de Donald Trump, que falou abertamente sobre a possibilidade de exterminar um povo.
Para o professor e pesquisador de Relações Internacionais Ricardo Leães, a retórica de Trump é mais um ingrediente na série de crimes de guerra que o líder estadunidense vem cometendo. “Isso já demonstra a falência moral do Ocidente. Estamos vendo um cenário em que Donald Trump ameaçou um genocídio contra o povo iraniano sem que quaisquer aliados dos EUA tenham vindo a público denunciar a situação ou manifestar a contrariedade. Essa situação coloca o mundo inteiro em risco. Se eles fazem isso com o Irã, quem disse que não podem fazer com o Brasil? Já fizeram com Venezuela, Cuba, Panamá…”, avalia.
Ao mesmo tempo, não apenas a resistência iraniana segue forte como a mobilização popular contrária à guerra tem crescido, no Irã e em outras partes do mundo, incluindo nos Estados Unidos.
Leães acredita que nada disso intimidará Trump e que a única estratégia que pode continuar funcionando é a que vem sendo adotada na retaliação iraniana: a econômica. Isso porque, à medida que a escassez de petróleo começar a ser uma realidade, os preços seguirem aumentando, o desequilíbrio das contas for se agravando, é provável que lideranças internas, até mesmo a favor de Trump, passem a tentar demovê-lo da ideia de seguir atacando o país persa.
“Nenhum desses atores internos que poderiam ser efetivos em dissuadir Donald Trump estariam tomando essas medidas por quaisquer preocupações humanitárias. Eles não estão nem aí para a população iraniana. Apenas sabem que o Irã tem condição de retaliar com força na economia mundial e é isso que eles querem evitar”, diz.
“Eles estão testando a capacidade da opinião pública de tolerar seus próprios crimes”, afirma.
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