GUERRA DOS EUA E ISRAEL CONTRA O IRÃ, ESCALA COM ATAQUES À PRODUÇÃO ENERGÉTICA DO ORIENTE MÉDIO E PODE ENVOLVER MAIS PAÍSES

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CRISE MUNDIAL

Pela primeira vez campos de petróleo são alvo e indicam que conflito deve gerar recessão global

Fumaça do incêndio na refinaria de petróleo de Teerã cobre o horizonte da cidade em 8 de março de 2026 | Crédito: Atta Kenare/AFP

A guerra do Irã chega ao seu 20º dia nesta quinta-feira (19), escalando o conflito com ataques, campos de gas e petróleo em diversos países do Oriente Médio. Temores de forte recessão mundial causados por estes ataques fizeram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar da retórica hostil e declarar que Israel agiu por “raiva” e não atacará o campo de gás iraniano de South Pars novamente.

“Israel não fará mais ataques contra o importantíssimo e valioso Campo de Gás de South Pars”, disse Trump em sua plataforma TruthSocial na noite de quarta-feira (18).

“A menos que o Irã, imprudentemente, decida atacar um país inocente, neste caso o Catar – situação em que os Estados Unidos da América, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, explodirão massivamente todo o Campo de Gás de South Pars com uma força e potência jamais vistas ou testemunhadas pelo Irã”, afirmou.

“Os Estados Unidos não sabiam nada sobre este ataque específico, e o Catar não esteve envolvido de forma alguma, nem tinha a menor ideia de que ele iria acontecer”, concluiu Trump. Após os ataques, seis países afirmam estar prontos para ajudar no Estreito de Ormuz e estabilizar os mercados de energia.

Guerra pode envolver mais países

Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão afirmam que tomarão medidas para estabilizar os mercados de energia e estão prontos para se juntar aos “esforços apropriados” para garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz. Em uma declaração conjunta, os países condenaram os ataques do Irã e pediram que o país os cesse imediatamente. Afirmaram também que trabalharão com certas nações produtoras de energia para aumentar a produção e estabilizar os mercados.

“A grande escalada da quarta-feira fez a guerra entrar em nova fase, que dependerá do quanto Trump consegue controlar Netanyahu, o que é imprevisível. “Uma vez que você criou, alimentou, e você deixou o pitbull solto, é difícil pegar ele de volta”, disse ao Brasil de Fato Giorgio Romano Schutte, coordenador do Programa da pós graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC e membro do Observatório de Política Externa do Brasil (OPEB). Ele observa que “o objetivo israelense é obrigar os EUA a irem até o fim”.

“Até agora Israel havia atacado bastante, matado muita gente, alvejado instalações militares, civis, de pesquisa, etc, mas não de produção de energia. Isso significou ultrapassar um limite”, diz o professor.

“Para o Irã, não há opção, é se defender ou morrer. Agora o mundo sabe que o Irã pode atingir todos os campos de petróleo e gás da região, o que é catastrófico para a Europa e o Japão.”

“É uma vitória para o Irã. Mas para Israel também, já que mostra que, assim como Obama e Biden, antecessores do Trump que se incomodaram com Tel Aviv, ele não deixa de em última instância manter o apoio”, destaca.

O Exército do Irã reiterou as ameaças de “destruir” infraestruturas de energia no Oriente Médio em caso de um novo ataque contra suas instalações.

Críticas de aliados do Golfo aos EUA

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, classificou como “ataque ilegal” a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, apesar de um acordo de paz ser “realmente possível”.

“Foi um choque, mas não uma surpresa, que em 28 de fevereiro (…) Israel e os Estados Unidos tenham iniciado um ataque militar ilegal contra a paz que, por um momento, pareceu realmente possível”, escreveu Al-Busaidi.

O diplomata responsabilizou a “liderança israelense” por convencer Trump a buscar uma “rendição incondicional” do Irã. Donald Trump ameaçou destruir os campos de gás iranianos se Teerã prosseguir com os ataques contra o Catar, o segundo maior exportador mundial de gás natural liquefeito.

A Arábia Saudita não descarta uma ação militar em resposta aos repetidos ataques iranianos com mísseis e drones, declarou o ministro das Relações Exteriores, o príncipe Faisal bin Farhan. “Nos reservamos o direito de empreender ações militares, se considerarmos necessárias”.

Editado por: Nathallia Fonseca

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