QUATRO ANOS DE GUERRA DA UCRÂNIA: O QUE ESTÁ EM JOGO NA DISPUTA TERRITORIAL?
afinsophia 24/02/2026 0
5º ANO DE GUERRA
Apesar da recente retomada do diálogo sobre a paz, negociações se encontram em um impasse
- SÃO PAULO (SP)
- SERGUEI MONIN
A guerra da Ucrânia completa a marca de quatro anos de conflito nesta terça-feira (24) sem uma perspectiva clara de uma resolução de paz, apesar dos avanços nos processos de negociação. Divergências políticas e territoriais continuam sendo obstáculos centrais no diálogo entre as partes.
Um dos pontos controversos do “plano de paz” que atualmente está na mesa de negociação diz respeito à região de Donbass, no leste ucraniano. A Rússia exige a retirada completa das Forças Armadas da Ucrânia de toda a região de Donetsk, enquanto os Estados Unidos propõem a criação de uma zona econômica livre ou zona desmilitarizada nos territórios de Donbass não ocupados pela Rússia.
Em setembro de 2022, Moscou anunciou a anexação formal das regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye, ao território ao seu território. No entanto, a Rússia não possui controle completo destas regiões.
A fala do porta-voz de Vladimir Putin revela a incompatibilidade das posições russa e ucraniana em relação à questão territorial.
Ainda em 2024, o presidente Vladimir Putin declarou que a Rússia estava pronta para cessar imediatamente as hostilidades, caso as forças armadas ucranianas iniciem a retirada de suas unidades para além das fronteiras administrativas das repúblicas de Donbass. Após essa retirada, segundo o líder russo, as novas realidades territoriais deveriam ser consagradas em tratados internacionais, incluindo o levantamento completo das sanções.
A exigência russa se mantém a mesma, mas Moscou repetidamente reforça que, na medida em que as suas tropas avançam e o cenário no campo de batalha se altera, as condições da Rússia para a resolução da guerra também podem mudar.
Ao mesmo tempo, apesar de dominar as iniciativas militares no campo de batalha, os avanços territoriais de Moscou vêm sendo lentos e graduais nos últimos anos do conflito, porém constantes.
Essa estratégia que se consolidou desde a fracassada contraofensiva ucraniana em 2023. Foi o momento em que o confronto passou a ser caracterizado como uma guerra de atrito, semelhante à guerra de trincheiras característica da Primeira Guerra Mundial. Ou seja, um conflito de intensos combates na linha de frente, mas com poucas mudanças substanciais de controle territorial.
Controle russo de 19% do território ucraniano
Para efeitos de comparação, o auge do controle russo sobre o território ucraniano foi no início do conflito, em março de 2022, quanto a Rússia chegou a controlar 26% do território da Ucrânia, segundo dados de imagens geolocalizadas do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). Este índice inclui a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.
Em seguida, as forças ucranianas conseguiram repelir as tropas russas de cidades estratégicas do norte do país, reduzindo o controle para cerca de 20% do território ucraniano. E, após ensaiar uma contraofensiva mais robusta no final de 2022, a Ucrânia conseguiu diminuir a área ocupada para aproximadamente 17,8% do país.
Desde então, a contraofensiva ucraniana não obteve mais êxitos expressivos e a Rússia retomou a iniciativa e os avanços, mas a linha de frente permaneceu em grande parte estática, com oscilação modesta de conquistas territoriais, apesar do domínio russo. Em dezembro de 2025, o controle russo sobre o território ucraniano ficou cerca de 19,3% da Ucrânia, o equivalente a aproximadamente 116 mil quilômetros quadrados.
Impasse nas negociações
Enquanto o Kremlin insiste na retirada completa da Ucrânia em Donbass, Kiev se recusa a ceder os territórios onde mantém controle, reconhecendo apenas a criação de uma zona desmilitarizada e uma zona econômica especial dentro dela.
A administração de Donald Trump, por sua vez, faz pressão sobre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acreditando que a Rússia concordará com o fim do conflito se lhe for concedida a parte não ocupada de Donbass.
Após três rodadas de negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e EUA, realizadas este ano em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) e Genebra (Suíça), não foram alcançados resultados concretos. Há uma expectativa para uma nova rodada de negociações para os próximos dias, mas não houve confirmação oficial sobre data e local, tão pouco acenos de concessões sobre as divergências territoriais.