LULA ENCONTRA CÚPULA DA EUROPA, NO RIO, PARA CONSOLIDAR PACTO MERCOSUL-UE

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Reunião no Itamaraty antecede assinatura formal no Paraguai; tratado cria zona de livre comércio com PIB de US$ 22 trilhões

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. | Foto: Ricardo Stuckert / PR

A agenda no Rio é estratégica para a diplomacia brasileira. Ao recepcionar as principais lideranças europeias em solo nacional, Lula busca consolidar o protagonismo do Brasil como o principal articulador do tratado, garantindo a “foto da vitória” antes da cerimônia oficial.

O movimento também permite ao presidente brasileiro manter uma distância diplomática de seu homólogo argentino, Javier Milei, com quem mantém relação protocolar. Enquanto os demais chefes de Estado do bloco sul-americano seguem para Assunção, o Brasil será representado na capital paraguaia pelo chanceler Mauro Vieira.

Uma potência de US$ 22 trilhões

Após 26 anos de negociações intermitentes, o acordo cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, abrangendo 720 milhões de consumidores. Juntos, os dois blocos somam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22,3 trilhões, o que representa cerca de 15% da economia global.

O tratado foi estruturado em duas frentes distintas. A primeira é o Acordo Comercial Interino (iTA), que foca na redução de tarifas e barreiras econômicas. Após a assinatura, este braço depende apenas de maioria simples no Parlamento Europeu para entrar em vigor.

A segunda parte, o Acordo de Parceria UE-Mercosul (EMPA), é mais ampla e exige a ratificação individual de todos os parlamentos dos países membros, tratando de temas como direitos humanos, cooperação digital e ação climática.

A costura política com a Itália

A viabilização do pacto só foi possível após uma intensa negociação entre Lula e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, no fim de 2025. Diante da resistência da França e da Polônia, o apoio italiano foi o fiel da balança para garantir a maioria qualificada no Conselho Europeu.

Em artigo publicado nesta sexta, Lula defendeu a integração como resposta ao isolamento global. “Não existe economia isolada“, escreveu o presidente. “A celebração desse acordo só é possível porque Mercosul e a União Europeia entenderam ter muito mais a ganhar juntos do que individualmente e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade.“

Impacto industrial e sustentabilidade

Para o governo brasileiro, o fim do impasse sinaliza uma nova fase para a indústria nacional. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que o pacto fortalece o multilateralismo.

“O acordo fortalece o multilateralismo e o comércio com regras entre Mercosul e União Europeia, amplia investimentos e cria oportunidades para a indústria brasileira. Também reforça a agenda da sustentabilidade, com o compromisso do Brasil no combate às mudanças climáticas. É um acordo de ganha-ganha, que gera empregos, aumenta a competitividade e amplia a oferta de produtos mais baratos e de melhor qualidade”, afirmou Alckmin.

O ministro ressaltou ainda que a mudança na postura ambiental do Brasil foi determinante para destravar as conversas. “Houve um empenho do presidente Lula, inclusive na condição de presidente do Mercosul, em defesa do multilateralismo. O Brasil mudou sua postura em relação à sustentabilidade, com compromisso claro de combate ao desmatamento, preservação das florestas e redução das emissões de carbono. Esse compromisso com a sustentabilidade foi fundamental. É um conjunto de fatores que permitiu avançar”, disse.

Resistências no campo europeu

Apesar do otimismo governamental, a implementação do acordo será gradual e enfrenta forte oposição de setores agrícolas na Europa. Em Paris, agricultores voltaram a protestar nesta semana, alegando “concorrência desleal” dos produtos sul-americanos.

O chanceler Mauro Vieira, no entanto, minimiza os riscos e projeta que o grupo recém-formado atrairá novos parceiros. “Esse novo grupo que está nascendo é um grupo muito representativo porque, dos sete membros do G7, três são membros da União Europeia e participarão desse acordo. E há outros três que são Japão, Canadá e Reino Unido, que não são membros da União Europeia, mas que já manifestaram o interesse de discutir um acordo comercial também com o Brasil”, afirmou Vieira em entrevista à GloboNews.

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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