IRÃ REFORÇA ANÚNCIO DE RETALIAÇÃO CASO SEJA ATACADO PELOS EUA

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Governo iraniano vai atacar bases dos EUA no Oriente Médio, que somam cerca de 40 mil militares; Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia já foram notificados

Solidariedade Com O Povo Do Irã, Vancouver, BC, Canada. | Foto: Sima Ghaffarzadeh voa Pexels

A informação foi confirmada por um alto funcionário iraniano à agência Reuters. Segundo ele, o governo do Irã comunicou países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia de que instalações militares norte-americanas em seus territórios seriam alvos de retaliação se os Estados Unidos atacarem o Irã. O objetivo, de acordo com a fonte, seria pressionar aliados de Washington a impedir uma ofensiva militar.

Em resposta às ameaças, os Estados Unidos começaram a retirar parte de seus soldados de bases estratégicas na região, segundo fontes norte-americanas ouvidas pela Reuters. Uma das unidades envolvidas é a base aérea de Al Udeid, no Catar, a maior dos EUA no Oriente Médio, que abriga cerca de 10 mil militares. Diplomatas relataram que integrantes da base foram orientados a deixar o local até a noite desta quarta-feira (14). A instalação já havia sido alvo de ataques em junho de 2025, durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, após bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas.

Os EUA mantêm cerca de 40 mil militares distribuídos em diversas bases no Oriente Médio. A movimentação ocorre enquanto Trump intensifica o tom contra Teerã, afirmando que o regime iraniano “pagará um preço muito alto” caso siga reprimindo violentamente os protestos ou execute manifestantes.

Desde o início da onda de manifestações, que começaram com queixas sobre a crise econômica e evoluíram para pedidos de queda da República Islâmica, mais de 3.400 pessoas morreram, segundo organizações não governamentais de direitos humanos. Autoridades iranianas admitiram ao menos 3 mil mortes, mas o número pode ser maior devido ao bloqueio da internet imposto pelo regime, que dificulta a verificação independente das informações. Relatos de ONGs e da imprensa internacional apontam para execuções extrajudiciais e uso excessivo da força pelas forças de segurança.

Nesta quarta-feira, uma ONG informou que um jovem manifestante de 26 anos, Erfan Soltani, deve ser executado após ter sido preso no início da semana. O Judiciário iraniano anunciou que dará prioridade a julgamentos rápidos dos detidos nos protestos, que já ultrapassariam 18 mil pessoas, segundo entidades de direitos humanos.

Trump tem se dirigido diretamente aos manifestantes iranianos. Em discursos e publicações, pediu que continuem protestando, incentivou a ocupação de instituições e afirmou que a “ajuda está a caminho”, sem detalhar o que isso significa. Questionado sobre uma possível ação militar, respondeu apenas: “Vocês terão que descobrir”. O presidente também afirmou que qualquer país que mantenha negócios com o Irã poderá enfrentar tarifas de 25% no comércio com os Estados Unidos.

A crise no Irã também repercute internacionalmente. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que o regime dos aiatolás pode estar vivendo seus “últimos dias ou semanas”, citando a repressão violenta como sinal de perda de legitimidade. Ele afirmou que Berlim mantém diálogo próximo com os Estados Unidos e outros países europeus e pediu o fim da repressão. Apesar disso, evitou comentar os laços comerciais alemães com Teerã, que vêm diminuindo e hoje representam menos de 0,1% das exportações do país.

Brasil monitora situação

Diante do agravamento do cenário, o governo brasileiro acompanha de perto a situação no Irã. Em entrevista à CNN Brasil, o embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sendo informado continuamente e que o Itamaraty já dispõe de um plano de contingência caso haja uma deterioração mais grave do quadro.

Segundo o diplomata, não há, até o momento, necessidade imediata de evacuação de cidadãos brasileiros. “Nós já temos tudo isso desenhado, descrito, como faremos, e estamos na apreensão de saber o que vai acontecer nos próximos dias”, disse. Ele acrescentou que nenhum país iniciou operações formais de retirada de seus nacionais do território iraniano, embora alguns governos tenham emitido alertas de segurança.

Guimarães relatou dificuldades pontuais de comunicação devido às restrições impostas pelo regime iraniano, incluindo a impossibilidade de contato telefônico com um brasileiro que se encontrava convalescente no país. O Itamaraty segue em contato permanente com a embaixada para avaliar possíveis providências, enquanto a comunidade internacional observa com apreensão o risco de um conflito regional de maiores proporções.

*Com informações do G1 e da CNN.

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