ESSES POETAS… ZECA BALEIRO, AFIRMOU: “HÁ MOMENTOS EM QUE O MUNDO PEDE MAIS AÇÃO E MENOS POESIA”. NÃO SABE: A POESIA É A REVOLUÇÃO
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O Poeta! Ah, Poeta! O Poeta não faz abstrações. Ele transporta em si a Potência Revolucionária Mutante do Mundo!
O CANTO POÉTICO DIALÉTICO
A VOZ DO POVO
“Meu samba é a voz do povo
Se alguém gostou
Eu posso cantar de novo
Eu fui pedir aumento ao patrão
Fui piorar minha situação
O meu nome foi pra lista
Na mesma hora
Dos que iam ser mandados embora
Eu sou a flor que o vento jogou no chão
Mas ficou um galho
Pra outra flor brotar
A minha flor o vento pode levar
Mas o meu perfume fica boiando no ar”.
O Poeta maranhense, João do Vale nunca acreditou que há momentos que “o mundo pede menos poesia”. Para ele só há poesia como Mundo.
O poeta João do Vale foi pobre, teve pouca oportunidade de frequentar a escola. Ainda criança vendeu pirulito nas ruas da cidade em que morava.
Zeca Baleiro não vendeu balas nas ruas. Nem bala perdida. Seu apelido nasceu em um território onde João jamais pôde frequentar: na Universidade. Baleiro, porque gostava de chupar balas. Assim, seus colegas lhe chamavam.
Se João fosse um classe média como Zeca, talvez fosse apelidado de João Pirulito. Mas, ficou do Vale mesmo. Mas vale ser poeta do que um “fingidor”, como assinala o poeta lusitano, Fernando Pessoa.
João poderia ser uma ideia estudada pelo filósofo, Barthes, porque só andava descalço. A ideia do famoso punctum.
Mas, Zeca não entende de poesia, mas se toma por poeta. Quem pode mostrar é o filósofo, Jean Baudrillard:
“O poeta não “libera” as palavras segundo seus sentidos. Ele as encadeia segundo as figuras da língua; é por isso que a República não tem necessidade de poetas”.
Pela República, Zeca Baleiro está liberado.
Zeca Baleiro, escreve:
“Ando tão a flor da pele, qualquer beijo de novela me faz chorar”.
Zeca é tão poeta quanto Djavan com seu “arreio meus anseios”. Jamais arrio. A Flor da Pele dele é irrefutavelmente marketing de telenovela da Globo.
O conceito de poesia em Zeca é tão dominante que ele acredita que, em função da violência que predomina no mundo, para lutar contra ela, é preciso agir. E para agir é necessário deixar a poesia de lado. Com João do Vale e tudo. Seu conterrâneo.
Pela bicuda que ele aplica na poesia, percebe-se que não sabe o que pensa, Mayakovsky sobre a arte:
“A Arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para transformá-lo”.
Mayakovsjy confirma que não há lugar para abstração na Arte. Daí não se pode deixar a poesia de lado.
Para piorar o entendimento de Zeca – que nos remete à voz de Ednardo quando canta- sobre a poesia um toque de Marcel Duchamp:
“A Arte é um caminho que leva para regiões que o tempo e o espaço não regem”.
É por essa realidade que a poesia é Potência Revolucionária: Ela Processa o Novo. E o Novo é o que ainda não foi capturado pelo tempo e o espaço.
Na entrevista em que Zeca afirmou esta convicção antipoética, falando sobre Felicidade, um trabalho baseado em três músicas de Tom Zé – este poeta mesmo – ele tentou mostrar que é engajado, porque já participou de alguns momentos em defesa da Democracia. Entretanto, sabe-se que participar de manifestações não faz ninguém revolucionário.
No entanto, ele apenas mostra que não poetiza como um Chico Maranhão, que foi colega de faculdade de Chico Buarque, Sérgio Habibe, com sua poesia-música, Cavalo Cansado, mas que se encontram comprometidos poeticamente com João do Vale, que não frequentou escola. Porque a poesia não nasce em escola nem em classe social dominante.
Por isso a poesia, afirma: Como é bom nascer ou viver em uma terra que tem poetas e poetisas, porque sabe-se que os fluxos-mutantes revolucionários são constantes. Que o diga Álvares de Azevedo!
Como diz a poetisa, Píndara: “Estes caras são tão despoetizante que não chegam nem a ser poeteiros!”.