GOVERNO FEDERAL ASSINA CONTRATO COM BANCO DOS BRICS PARA CRIAR REDE NACIONAL DE HOSPITAIS INTELIGENTES NO SUS
afinsophia 07/01/2026 0
O governo federal deu nesta semana um passo decisivo para inserir o Sistema Único de Saúde (SUS) na chamada nova fronteira tecnológica da medicina. Em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da ex-presidenta Dilma Rousseff, de ministros, secretários estaduais de saúde, reitores de universidades e representantes do corpo diplomático, foi assinado o contrato de financiamento com o Banco dos Brics para a criação de uma rede nacional de hospitais inteligentes e UTIs totalmente conectadas.
O acordo garante mais de R$ 1 bilhão em financiamento e permitirá ao Ministério da Saúde estruturar, a partir de 2026, uma ampla rede de serviços de alta complexidade, com uso intensivo de tecnologia da informação, inteligência artificial e sistemas integrados de monitoramento. Segundo o governo, o objetivo é fazer com que o SUS lidere no Brasil a incorporação de tecnologias que hoje estão restritas a poucos hospitais de excelência no mundo.
“Estamos garantindo ao povo brasileiro, no SUS, o mesmo padrão tecnológico que teria um presidente da República ou qualquer chefe de Estado”, afirmou o ministro da Saúde durante a apresentação do projeto. De acordo com ele, a iniciativa busca assegurar que equipamentos e tratamentos de ponta, hoje disponíveis majoritariamente na rede privada, sejam oferecidos gratuitamente à população.
UTIs conectadas e atendimento mais rápido
O projeto prevê, como primeira etapa, a implantação de uma rede com 14 UTIs inteligentes distribuídas por todas as regiões do país. Essas unidades serão totalmente conectadas entre si e a centros de excelência, permitindo monitoramento remoto de pacientes, integração de dados clínicos e apoio de especialistas à distância. A expectativa do governo é que essa fase avance rapidamente, já que os hospitais envolvidos já existem e passarão por modernização tecnológica.
Experiências internacionais apresentadas pelo Ministério da Saúde indicam que a adoção desse tipo de tecnologia pode reduzir em até cinco vezes o tempo de espera por atendimento, especialmente em situações de urgência e emergência. “Na saúde, tempo é vida”, destacou o ministro.
As UTIs também estarão integradas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), permitindo que equipes hospitalares acompanhem, em tempo real, as informações do paciente ainda dentro da ambulância, antecipando decisões e acelerando o atendimento assim que ele chegar à unidade.
Hospital inteligente no HC da USP
O principal investimento do contrato com o Banco dos Brics será a construção do Instituto Tecnológico de Emergência no Complexo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). O novo hospital, que será 100% SUS, terá foco em urgência e emergência e funcionará como o primeiro hospital inteligente do país.
A unidade contará com cerca de 350 leitos, 25 salas cirúrgicas e serviços especializados em trauma, neurologia e cardiologia. O instituto será integrado ao complexo do HC, entre o Incor e o Instituto do Câncer (Icesp), e atuará como centro nacional de referência, coordenando a rede de UTIs inteligentes, além de apoiar a formação de profissionais e a difusão de novas tecnologias para todo o país.
A previsão é que a construção leve de três a quatro anos, mas o governo ressalta que os primeiros resultados do projeto, como as UTIs conectadas, começarão a aparecer ainda neste ano.
Cooperação internacional e transferência de tecnologia
Além da ampliação do acesso à assistência especializada, o projeto prevê forte transferência de tecnologia. Empresas chinesas, indianas e de outros países dos Brics poderão firmar parcerias com companhias brasileiras para produção local de equipamentos, geração de empregos e desenvolvimento tecnológico.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e universidades federais, como a USP e a Unifesp, terão papel central na condução científica e na formação de especialistas. O governo também espera que a iniciativa atraia investimentos internacionais e consolide o Brasil como polo regional de inovação em saúde, com influência no Mercosul e na América Latina.
Outros investimentos em hospitais
O programa inclui ainda a modernização e construção de outros hospitais estratégicos, como o novo hospital da Unifesp, o Hospital do Grupo Conceição, no Rio Grande do Sul, o Instituto do Cérebro, no Rio de Janeiro, o Hospital Oncológico da Baixada Fluminense e a reestruturação de hospitais federais no Rio, entre eles o Hospital da Lagoa, que passará a ser gerido em parceria com a Fiocruz.
Lula destaca papel social do SUS
Ao discursar, o presidente Lula ressaltou a importância de garantir acesso igualitário à tecnologia de ponta. Ele lembrou experiências pessoais de emergência médica e afirmou que o SUS precisa estar preparado para atender toda a população com rapidez e qualidade, independentemente da condição social.
“O pobre não tem avião, ele tem o ônibus, depois o Samu. Agora ele precisa ter acesso à inteligência e à tecnologia para viver melhor”, afirmou. Lula também destacou que as UTIs inteligentes poderão começar a funcionar antes mesmo da conclusão do novo hospital em São Paulo, ampliando rapidamente o alcance do projeto.
Para o governo, a iniciativa marca um novo momento do SUS, unindo assistência, ciência, inovação e cooperação internacional.