BERNIE SANDERS E KAMALA HARRIS CONDENARAM AÇÕES DE TRUMP NA VENEZUELA
afinsophia 04/01/2026 0
Para senador, Trump voltou a demonstrar desprezo pela Constituição dos Estados Unidos e pelo Estado de Direito e não tem autoridade para conduzir o país a uma guerra

“Sejamos claros: o presidente dos Estados Unidos não tem o direito de, unilateralmente, levar o país à guerra, mesmo que seja contra um ditador corrupto e brutal como Nicolás Maduro. Os Estados Unidos não têm o direito, como dito por Trump, de assumir o controle da Venezuela”, declarou.
Na avaliação do senador, a ação representa uma violação flagrante do direito internacional e abre precedente para que outros países ataquem nações soberanas com o objetivo de explorar recursos naturais ou promover mudanças de governo. “Essa é a mesma lógica distorcida usada por Putin para justificar o ataque brutal à Ucrânia”, disse.
Sanders também afirmou que, mesmo antes da ofensiva militar, Trump e integrantes de sua administração já demonstravam interesse em retomar a Doutrina Monroe, que sustenta a influência dos Estados Unidos sobre os assuntos do hemisfério. Segundo ele, declarações sobre o controle das reservas de petróleo venezuelanas reforçam esse posicionamento.
“Eles falaram abertamente sobre controlar as reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo. Não vamos nos enganar: isso é imperialismo de alto nível. Isso relembra períodos sombrios de intervenção norte-americana na América Latina, que deixaram um terrível legado”, afirmou. O senador concluiu dizendo que a ação “será e deve ser condenada pelo mundo democrático”.
Kamala Harris
Também em publicação no X, a ex-vice-presidente Kamala Harris condenou a iniciativa de Trump, ao mesmo tempo em que classificou Nicolás Maduro como um “ditador brutal e ilegítimo”. Para ela, a história se repete.
“Já vimos esse filme antes. Guerras por mudança de regime ou por petróleo, vendidas como demonstração de força, mas que se transformam em caos e famílias americanas pagam o preço”, escreveu.
Segundo Harris, a operação não tem relação com combate ao tráfico de drogas nem com a defesa da democracia. “Trata-se de petróleo e do desejo de Donald Trump de se apresentar como o homem mais forte da região”, afirmou.
A ex-vice-presidente acrescentou que, se o presidente realmente se importasse com esses temas, não teria perdoado um narcotraficante condenado nem marginalizado a oposição venezuelana, ao mesmo tempo em que busca acordos com aliados de Maduro.
Harris avaliou ainda que a operação envolve gastos de bilhões de dólares, expõe militares norte-americanos a riscos, contribui para a desestabilização regional e não apresenta base legal, plano de saída ou benefícios concretos para a população dos Estados Unidos.