De acordo com informações das agências Bloomberg e Reuters, o petroleiro Bella 1, de bandeira panamenha, foi interceptado hoje em águas internacionais. A embarcação estaria a caminho da Venezuela para ser carregada. É o terceiro incidente do tipo em um curto intervalo desde 10 de dezembro.
Um oficial norte-americano informou que o Bella 1 estava sob sanções econômicas e navegava com bandeira falsa. A ação faz parte do “bloqueio total” anunciado por Donald Trump na última terça-feira, que visa impedir qualquer embarcação sancionada de entrar ou sair de portos venezuelanos.
Terrorismo Psicológico
Minutos após a notícia da nova apreensão circular, Nicolás Maduro utilizou suas redes sociais para denunciar a ofensiva. Embora não tenha citado o Bella 1 nominalmente, o líder venezuelano afirmou que o país enfrenta uma “campanha de agressão de terrorismo psicológico e de corsários que assaltaram petroleiros”.
Anteriormente, o regime chavista já havia classificado o bloqueio de Trump como uma “ameaça grotesca” e prometeu que as apreensões “não ficarão impunes”.
A ofensiva de Trump tem um alvo claro: a principal fonte de receita do regime Maduro. A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo (303 bilhões de barris), mas depende de exportações para manter sua estrutura estatal.
Estrangulamento Econômico
Com as sanções de 2019, o governo Maduro passou a depender de uma “frota fantasma” de navios-tanque que ocultam localização para exportar, principalmente para a China.
Paralelamente ao bloqueio petrolífero, Trump ordenou ataques a embarcações suspeitas de contrabandear fentanil. Desde setembro, 28 ataques conhecidos resultaram em pelo menos 104 mortes.
A postura agressiva da Casa Branca foi reforçada por declarações da chefe de gabinete, Susie Wiles. Em entrevista à Vanity Fair, Wiles afirmou que o objetivo de Trump é “continuar explodindo barcos até Maduro gritar ‘tio’” (expressão americana para rendição).
Especialistas alertam que, se o embargo persistir, a retirada de quase um milhão de barris diários do mercado global pode pressionar os preços do combustível para cima, embora, por ora, o mercado internacional siga bem abastecido pela produção de outros países e estoques na China.