STF FORMOU MAIORIA CONTRA MARCO TEMPORAL DAS TERRAS INDÍGENAS

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Com seis votos contrários, Supremo caminha para declarar inconstitucional critério que restringe demarcações à ocupação em 1988

Sessão plenária do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF

O placar da votação alcançou seis votos contrários ao marco temporal, indicando que a maioria dos ministros considera a regra inconstitucional por restringir injustamente os direitos territoriais dos povos indígenas às provas de ocupação em uma data fixa.

O ministro Gilmar Mendes foi um dos primeiros a se posicionar contra a tese, argumentando que o critério temporal desconsidera a história de expulsões, massacres e deslocamentos forçados que marcaram a formação do Brasil.

Em sua avaliação, a Constituição não pode ser interpretada de maneira que viole o direito originário dos povos indígenas às suas terras tradicionais.

Além de Mendes, os outros ministros que votaram contra a restrição das demarcações foram Dias Toffoli, Flavio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Alexandre de Moraes.

O marco temporal é uma tese jurídica que sustenta que povos indígenas só teriam direito à demarcação de terras se estivessem em posse delas em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Originalmente proposta por setores ruralistas, a tese foi objeto de ação direta de inconstitucionalidade no STF e vinha sendo analisada desde 2023.

O STF ainda deve concluir a análise de todos os votos e publicar o acórdão oficial com a fundamentação completa da decisão. Quando a maioria se consolidar formalmente, o marco temporal será declarado inconstitucional, alterando a forma como as demarcações territoriais indígenas serão tratadas legal e historicamente no país.

(Com Agência BrasilUOL e O Globo)

 

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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