ONU É ALERTADA SOBRE AMEAÇAS DOS EUA CONTRA ELEIÇÕES BRASILEIRAS

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Instituto Vladimir Herzog enviou documento ao alto-secretariado da ONU sobre ataques coordenados contra o sistema eleitoral

Por: Yuri Ferreira: 20/09/2026 –
– Lula recebe António Guterres, secretário-geral da ONU na COP30, em Belém (Ricardo Stuckert / PR)

OInstituto Vladimir Herzog encaminhou à Organização das Nações Unidas (ONU) um alerta sobre possíveis formas de ingerência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro de 2026. A carta foi enviada ao secretário-geral da organização, António Guterres, e ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk. As informações são do colunista Jamil Chade, do ICL.

O documento chegou à ONU no mesmo período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para Nova York, onde participará da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Segundo o Instituto, o objetivo é mobilizar a comunidade internacional para que reconheça o resultado das eleições brasileiras. A entidade afirma haver preocupação com a possibilidade de que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aliados brasileiros contestem o resultado caso Lula seja reeleito.

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, afirmou que participou, entre 20 e 24 de julho, de uma delegação de 15 organizações da sociedade civil brasileira que esteve em Washington e Nova York. O grupo se reuniu com congressistas democratas e republicanos, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, diplomatas e organizações da sociedade civil.

“Voltamos dessa última missão com uma preocupação ainda maior”, disse Sottili ao ICL. Segundo ele, existem “sinais concretos de uma dinâmica de ingerência externa sobre o processo político e eleitoral brasileiro”.

O Instituto também manifesta preocupação com uma eventual contestação internacional das eleições. Para a entidade, caso as pressões externas não produzam resultados antes da votação, poderia ocorrer uma segunda etapa, marcada por alegações de fraude, questionamentos à legitimidade do pleito e demora no reconhecimento internacional.

Por isso, a organização pede que Guterres conclame os países-membros da ONU a reconhecerem imediatamente o resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira, independentemente do candidato vencedor.

Entre as demais solicitações estão o acompanhamento de possíveis formas de ingerência externa e manipulação transnacional de informações, a defesa da autonomia das instituições eleitorais e das missões internacionais credenciadas e o desencorajamento do uso de instrumentos econômicos, diplomáticos, tecnológicos ou de segurança para condicionar o processo eleitoral.

Na carta enviada a Volker Turk, o Instituto também pede atenção aos possíveis impactos de ingerências externas sobre direitos políticos, liberdade de expressão, espaço cívico, independência institucional e atuação de jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações da sociedade civil.

A entidade solicita ainda que o Alto Comissariado considere emitir um pronunciamento público sobre os riscos de ingerência externa e defenda que a vontade dos eleitores brasileiros seja formada e expressa livremente, sem coerção ou pressões externas.

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