“NÃO PODEMOS DUVIDAR DE UMA INVASÃO TERRESTRE”, AFIRMOU COORDENADO DO MST NA VENEZUELA APÓS NOVA AMEAÇA DE TRUMP

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ESCALADA

Rosana Fernandes afirma que ameaças fazem parte de uma guerra psicológica, mas não descarta uma ação militar

Presidente Nicolás Maduro afirmou que a população venezuelana está pronta para pegar em armas| Crédito: Federico Parra/AFP

Em uma novo capítulo da pressão exercida pelos Estados Unidos contra a Venezuela, o presidente Donald Trump disse, nesta quinta-feira (27), que ofensivas terrestres contra o país caribenho vão começar “em breve”.

“Detivemos quase 85% [das drogas] por mar e também começaremos a detê-los por terra. Por terra é mais fácil, mas isso começará muito em breve”, disse o mandatário estadunidense, que não apresentou nenhuma documentação que confirme o dado apresentado.

A declaração ocorreu durante uma conferência online para os militares estadunidenses por conta do Dia de Ação de Graças. Trump não apresentou detalhes sobre como uma eventual ação terrestre ocorreria, nem quando a operação seria realizada. 

Mais cedo, no mesmo dia da declaração de Trump, Nicolás Maduro disse que os venezuelanos estão dispostos a pegar em armas para defender o país. “Se for preciso pegar em armas, o faremos e teríamos um destino de triunfo e dignidade”, disse, durante a celebração do 105° Aniversário da Aviação Militar Bolivariana. 

Rosana Fernandes, coordenadora na Venezuela da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho do MST diz que as ameaças de Donald Trump fazem parte de uma guerra psicológica contra os venezuelanos, mas que o risco de um ataque direto não pode ser descartado. 

“Os inimigos do povo são capazes de qualquer atitude para aniquilar as forças organizadas. A guerra psicológica – como entendemos essa ofensiva – é uma forma de pressionar a organização popular e política da Venezuela. Então, não podemos duvidar de uma invasão terrestre, para colocar à prova a resistência do povo venezuelano”, disse Fernandes. 

A ofensiva mais intensa de Trump contra Caracas ocorre desde o fim de agosto, quando os primeiros navios militares foram enviados ao mar do Caribe. No mês seguinte, os bombardeiros a embarcações, que já deixaram mais de 80 mortos, começaram. 

Nas últimas semanas, o mandatário estadunidense tem enviado mensagens difusas. Trump afirmou, em mais de uma ocasião, estar aberto a uma conversa com Nicolás Maduro. Ao mesmo tempo, diz não descartar a possibilidade de uma ação militar contra o país caribenho. 

Ainda que a vida em Caracas siga em ritmo quase inabalável, as ameaças de Washington provocam efeitos na população. “Não há dúvida que a guerra psicológica é bastante forte e profunda para o povo venezuelano”, diz Fernandes.

Ela, no entanto, afirma que o país mantém sua organização. “Temos percebido que há uma preocupação, mas também que as pessoas estão com muita disposição, tanto para continuar fazendo a sua vida cotidiana, quanto para se preparar para uma possível ação direta. A disposição é perceptível a partir dos alistamentos voluntários realizados nos últimos meses.”

 

Editado por: Luís Indriunas

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