TARCÍSIO E O CASO CANGERANA: O ELO COM O PCC QUE O GOVERNO TENTA APAGAR
Em meio à investigação na Faria Lima, o caso Cangerana reacende a proximidade de um ex-assessor de Tarcísio com o esquema criminoso
A megaoperação da Polícia Federal, realizada na última quinta-feira para desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima, trouxe de volta à cena um episódio incômodo para o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No epicentro das investigações, que ligam o crime organizado ao mercado de fintechs, o caso remete à figura do capitão da Polícia Militar, Diogo Cangera, que atuou como assessor do governador de São Paulo.
Cangerana foi preso pela Polícia Federal em 26 de novembro de 2024. Na época, sua prisão na Operação Tai-Pan mirou um grupo de fintechs que teriam movimentado R$ 6 bilhões em cinco anos, com cerca de R$ 800 milhões apenas em 2024, usando um sistema bancário clandestino.
Mas o episódio não durou muito. O capitão foi solto em dezembro de 2024 após um habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal (TRF3).
Caso isolado?
Apesar de Tarcísio de Freitas ter negado que Diogo Cangerana ocupasse o cargo de chefe de sua segurança pessoal, classificando o episódio como “ato isolado” e prometendo punição, a ligação entre ambos é inegável.
Diogo Cangerana atuou por 14 anos na Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes e, em setembro de 2024, foi transferido pelo governador Tarcísio de Freitas para o 13º Batalhão da PM, responsável pelo patrulhamento da Cracolândia, movimentação que ocorreu pouco antes de sua prisão pela Polícia Federal.
Registros públicos mostram o capitão acompanhando o governador em agendas oficiais e viagens de campanha, em ato com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) no Mercado Municipal de São Paulo e na viagem a Balneário Camboriú (SC) para a Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC) Brasil, conforme publicado no próprio Instagram de Tarcísio.
O fato de um ex-assessor com trânsito tão próximo ao Palácio dos Bandeirantes estar envolvido em um escândalo de lavagem de dinheiro com o PCC trata-se de um “caso isolado”?
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