IMPASSE COM PAÍSES PETROLEIROS BARRA ACORDO GLOBAL CONTRA POLUIÇÃO POR PLÁSTICO
Bloqueio ocorreu principalmente por demanda de nações produtoras de petróleo, que buscam compromisso mais brando
‘O Fardo do Pensador’: escultura do artista e ativista, Benjamin Von Wong, foi monstada em frente à ONU em Genebra – Fabrice Cofrini / AFP
Chamado de CNI5-2, o processo de negociações revelou divisões consistentes entre os países. De um lado, o grupo conhecido como Coalizão de Alta Ambição e formado por União Europeia, Reino Unido, Canadá e diversos países africanos e latino-americanos, defendia a redução da produção de plástico e a eliminação gradual de produtos químicos tóxicos utilizados na fabricação.
Do outro lado, as nações produtoras de petróleo, que se autodenominam Grupo de Pensamento Alinhado, advogava para que o tratado tivesse um foco mais restrito na gestão de resíduos, sem necessariamente limitar a produção. Esse grupo inclui Arábia Saudita, Kuwait, Rússia, Irã e Malásia.
O Brasil, quarto maior produtor de plástico do mundo e líder na América Latina, adotou postura intermediária nas negociações. Embora a delegação brasileira tenha reconhecido a importância de um tratado que abranja todo o ciclo de vida do plástico, não houve compromisso com uma posição definitiva sobre a limitação da produção.
A postura do país levantou questionamentos sobre a dualidade em relação à sua atuação em outras convenções ambientais, como a da mudança do clima.
Nações insulares, formadas por ilhas que correm risco até mesmo de desaparecer com as mudanças climáticas, expressaram grande frustração com o resultado. Esses países apontam o peso de enfrentar grandes consequências da crise ambiental, mesmo tendo contibuído pouco para o problema.
Dados apresntados ao longo dos dez dias de negociação mostram que mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente em todo o planeta. Metade desse montante é descartável e apenas 9% são efetivamente reciclados,
Levantamentos da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que, anualmente, entre 19 milhões e 23 milhões de toneladas de plástico são despejados em ecossistemas aquáticos – o equivalente a cerca de 2 mil caminhões de lixo por dia. Até 2040, esse número pode chegar a 37 milhões de toneladas se o ritmo atual não mudar.
Diante do impasse, os países plenejam uma nova rodada de discussões sobre o tema. Mas ainda não há data e local definidos. Como o encontro terminou sem a apresentação de nenhum documento, as delegações terão de retomar o rascunho do texto anterior, que havia sido elaborado em Busan, Coreia do Sul, no final de 2024.