ATAQUE DE MADEIREIROS ARMADOS A ALDEIA INDÍGENA RESULTA EM MORTE NO MARANHÃO

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TERRA JÁ DEMARCADA

Em julho, invasores foram expulsos; conflito escalou nesta sexta, três dias após indígena ser atacado com água fervente

O povo Gavião da Terra Indígena (TI) Governador afirma estar, desde então, cercado por homens armados, sob ameaça e sendo sobrevoado por drones. A tensão na região se acirra desde julho, quando indígenas expulsaram madeireiros que retiravam estacas de dentro do território. 

Antes do ataque desta sexta, por volta das 4h, indígenas Pyhcop Catiji Gavião viram caminhões cruzando o território com madeiras de extração ilegal. As ameaças de que um ataque aconteceria chegaram à comunidade pela tarde. A Polícia Militar e a Força Nacional estiveram na área. Logo depois que se retiraram, os invasores chegaram.

“O pessoal não dormiu, eu mesmo não dormi”, informou ao Cimi uma das lideranças, ao explicar que, sob tensão, estão se revezando em vigílias. 

O Brasil de Fato pediu posicionamento para a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, mas não teve resposta até o fechamento desta matéria. Caso haja retorno, o texto será atualizado. 

Ataque com água fervente três dias antes

Na última terça-feira (5), um indígena foi atacado por três homens enquanto dormia. Além de tomar socos e chutes, teve água fervente jogada sobre seu corpo. Ele está, até o momento, internado no Hospital São José de Ribamar, com queimaduras de segundo e terceiro grau. Um boletim de ocorrência foi registrado por lideranças da comunidade na Delegacia da Polícia Federal no município de Imperatriz (MA).

A TI Governador, onde vivem os povos Pyhcop Catiji Gavião, Guajajara e Tabajara, teve seus 42 mil hectares na Amazônia maranhense demarcados em 2010. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o desmatamento na área, que teve o seu pico em 2003, foi reduzido drasticamente depois da homologação da demarcação. 

As denúncias de invasões no território, no entanto, nunca cessaram. Seis hectares foram desmatados em 2022, de acordo com mapeamento por satélite do Inpe. Em 2024, a área destruída subiu para 35 hectares.

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