ESTUDO MOSTRA QUE MICROPLÁSTICOS ULTRAPASSAM PLACENTA E JÁ SÃO ENCONTRADOS NO CORDÃO UMBILICAL
A pesquisa foi realizada com om gestantes atendidas pelo SUS em Maceió (AL)
Embora os impactos diretos à saúde humana ainda estejam sendo investigados, estudos com animais já indicam riscos ao desenvolvimento – Arquivo/Agência Brasil
“É a primeira vez que temos esse dado. […] Achávamos que eles iam para a placenta, ficavam retidos nessa barreira, que é muito boa, e não ultrapassavam. Mas esse nosso estudo agora […] mostrou essa passagem para o cordão umbilical”, explica. Segundo Borbely, o principal plástico identificado foi o polietileno, comum em embalagens e sacolas descartáveis, mesmo tipo que já aparece em altas concentrações nas praias e lagos da região.
A pesquisa, publicada na última sexta-feira (25) na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências, foi realizada com dez gestantes do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes e do Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira. As amostras foram analisadas por espectroscopia Micro-Raman, revelando 110 partículas de microplástico nas placentas e 119 nos cordões.
Embora os impactos diretos à saúde humana ainda estejam sendo investigados, Borbely ressalta que estudos com animais já indicam riscos ao desenvolvimento. “Qualquer coisinha que altere esse fino balanço […] vai alterar a formação desses órgãos. Seja uma alteração visível, seja uma alteração genética, molecular, que só vai aparecer depois de muitos anos”, alerta.
A Ufal já iniciou uma nova fase do estudo, com o objetivo de reunir 100 participantes e aprofundar a análise sobre possíveis vínculos entre a presença de microplásticos e doenças gestacionais. “A pesquisa brasileira consegue competir de igual pra igual fora [do país], só precisamos de investimento”, defende o pesquisador, que relata ter enfrentado dificuldades de financiamento até 2022, quando conseguiu avançar com os estudos.