LIDERANÇA DO MST FOI ESPIONADO PELA ‘ABIN PARALELA’, SEGUNDO RELATÓRIO DA PF
“Isso demonstra que o MST, ao longo dos seus 40 anos, está no caminho correto”, disse Alexandre da Conceição ao BdF
Alexandre da Conceição, liderança nacional do MST, atualmente ocupa o cargo de assessor especial do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
“Isso demonstra que o MST, ao longo dos seus 40 anos, está no caminho correto”, disse Conceição ao Brasil de Fato. À época, ele era o responsável pela articulação nacional do MST em Brasília. “A gente que sempre fez a luta pela terra nunca é surpresa para nós. Então só confirmou o que a gente já desconfiava que esse governo era capaz de fazer”, afirmou.
De acordo com as investigações, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-RJ), eram os chefes de uma organização criminosa que montou uma estrutura clandestina na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos e autoridades da República, entre elas os ministros do Supremo, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.
“Quando a gente faz a nossa luta pela terra de combate ao latifúndio, a gente também está dizendo contra essa burguesia nacional, que é antidemocrática, que é antipovo, que é antinacional, a gente está conquistando território e transformando esse território no território de preservação ambiental, de produção de alimentos saudáveis. Ou seja, nós estamos construindo a duras penas um novo tecido social no Brasil de uma democracia verdadeiramente mais participativa”, disse Alexandre da Conceição, que atribui o monitoramento ilegal à oposição firme do MST durante todo o período do governo de Jair Bolsonaro.
“O MST não se acovardou na hora de fazer o embate, o enfrentamento a um governo neofascista que foi eleito aqui no Brasil nesse período nefasto da nossa história”, disse o assessor do MDA.
“Sempre mantivemos uma posição firme contra o governo Bolsonaro, contra qualquer tentativa de golpe, e a gente sempre denunciou isso em todos os espaços, em todos os fóruns que a gente pôde participar, e fizemos inclusive campanhas contra o governo Bolsonaro de forma muito aberta, muito clara, porque era um governo nitidamente com viés fascista, com viés golpista”, avalia.
“A gente correu um risco muito grande de ver a nossa democracia de fato na mão do fascismo”, segue Conceição. “Então, por isso, além de não ter muita surpresa com a arapongagem, a gente pode está comemorando hoje de que a gente naquele período derrotou e precisa continuar derrotando o golpe”, pontuou, reafirmando que o MST segue em defesa do aprofundamento da democracia, com o combate ao latifúndio e a realização da reforma agrária popular.
“Nossa luta não foi em vão, contra o governo fascista de Bolsonaro, mas para ficar completa, precisamos que ele pague pelos crimes que cometeu e vá pra cadeia, e sem anistia para nenhum golpista”, finalizou.