GOVERNO AFIRMA QUE REVISÃO DAS PENAS DOS GOLPISTAS CABE EXCLUSIVAMENTE AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

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Janelas danificadas no Palácio do Planalto após atos terroristas no ultimo domingo

Governo vem trabalhando com outras estratégias para impedir o perdão do 8 janeiro, em projeto que poderia beneficiar Jair Bolsonaro

Janelas danificadas no Palácio do Planalto após atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O avanço do projeto de lei que anistia os golpistas do 8 de janeiro, com indicativos de apoio suficiente para ser votado com urgência na Câmara dos Deputados, assustou o governo, que vem trabalhando com outras estratégias para impedir o perdão dos bolsonaristas que atentaram contra a democracia, em 2023.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação com os parlamentares do Congresso, chegou a passar a bola para o Judiciário, com o receio de que a pauta seja aprovada na Câmara.

“Quero deixar claro que eventuais revisões de pena aos réus do 8 de Janeiro cabem única e exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, que conduz os processos”, manifestou Gleisi, nas redes sociais, nesta sexta (11).

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), chegou a mostrar um recuo maior, afirmando que o partido poderia negociar a redução das penas impostas pelo Supremo. Essa seria, segundo ele, uma alternativa viável à pressão bolsonarista na Câmara.

“Concordamos com a ideia de se construir um caminho. Nós, do PT, da esquerda, somos favoráveis à redução das penas. O acordo de não persecução penal já liberou muita gente [retirou da prisão], e havia uma regra de 4 anos”, disse o deputado, na saída da Câmara, na noite desta quinta (10).

Lindbergh ressaltou que o caso envolve uma conversa com o Supremo Tribunal Federal (STF) e que o governo está dialogando, juntamente com o presidente da Câmara, Hugo Motta.

O governo tem buscado dialogar com ministros do Supremo para evitar a aprovação do PL da Anistia, que vem ganhando força após a ampla movimentação de lideranças do partido de Jair Bolsonaro.

Na última semana, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), um dos principais aliados de Bolsonaro no Congresso, foi em busca de assinaturas para votar a lei em “urgência”.

Sem ter conseguido alcançar as assinaturas mínimas, o parlamentar prometeu que iria realizar uma espécie de campanha por mais assinaturas nesta semana, batendo nas portas de todos os gabinetes e nas audiências presididas e de membros de partidos do Centrão, bolsonaristas e oposição ao governo.

Como resultado, na noite desta quinta (10), ele informou ter conseguido as 257 assinaturas para o requerimento de urgência que prevê perdoar os ataques de centenas de bolsonaristas à Praça dos Três Poderes, pela vitória eleitoral do presidente Lula, no que configurou o maior episódio de atentado contra a democracia na história recente.

As assinaturas da urgência permitem que o texto pule direto para a votação do Plenário da Câmara, sem a necessidade de passar por Comissões, como a de Justiça, que poderiam barrar a medida, considerando-a inconstitucional, por exemplo, por confrontar as competências do Supremo Tribunal Federal.

O receio do governo é que o texto não seja usado meramente para anistiar presos do 8 de janeiro como a cabelereira Débora Rodrigues, mas de posteriormente livrar Jair Bolsonaro, militares e membros de seu governo que foram denunciados por tentativa de golpe de Estado no STF.

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