MANAUS É A CIDADE BRASILEIRA MAIS AMEAÇADA PELA ONDA DE CALOR EXTREMO, SEGUNDO ESTUDO DA UNIVERSIDADE DE OXFORD QUE INCLUI 11 CIDADES DO BRASIL
Pesquisa mostra que pobreza, pouca arborização e custo da energia agravam os efeitos climáticos
Um estudo da Universidade de Oxford colocou 11 cidades brasileiras entre os centros urbanos mais vulneráveis do mundo às ondas de calor. A lista inclui Manaus, Goiânia, Belo Horizonte, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.
Entre elas, Manaus aparece como a cidade brasileira mais ameaçada, na 27ª posição do ranking global e em terceiro lugar entre as cidades da América Latina e do Caribe. Na sequência, aparecem Goiânia, em 46º lugar; Belo Horizonte, em 66º; Fortaleza, em 67º; São Paulo, em 77º; Rio de Janeiro, em 83º; Brasília, em 88º; Recife, em 89º; Salvador, em 93º; Curitiba, em 119º; e Porto Alegre, em 120º.
A pesquisa, publicada na revista Sustainable Cities and Society, analisou 205 cidades com mais de um milhão de habitantes. O levantamento avaliou não apenas a exposição a altas temperaturas, mas também as condições sociais e econômicas que ampliam o risco para a população.
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O estudo mostra que o perigo do calor extremo não depende apenas dos termômetros. Ele cresce quando se combina com pobreza, infraestrutura precária, pouca arborização, dificuldade de acesso à energia elétrica e maior presença de crianças pequenas e idosos.
No ranking global, a cidade mais ameaçada é Basra, no Iraque. A lista é dominada por centros urbanos da Índia, Paquistão, Nigéria e Gana. Segundo o estudo, mais de 95% das cidades mais expostas ficam no sul e sudeste da Ásia e na África Subsaariana.
Na América Latina e no Caribe, Barranquilla, na Colômbia, aparece como a cidade mais vulnerável da região, na 11ª posição mundial. Manaus ocupa o terceiro lugar regional.
A pesquisa aponta que a vulnerabilidade urbana ao calor é agravada pela desigualdade. Em muitas capitais latino-americanas, bairros ricos concentram mais áreas verdes, enquanto periferias seguem marcadas por asfalto, concreto e pouca sombra. Essa diferença, segundo a organização Periodistas por el Planeta, transforma a segregação urbana em maior risco de adoecimento e morte para a população mais pobre.
Outro fator é o custo da energia. Mesmo quando famílias conseguem comprar ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado, muitas não têm condições de pagar pelo uso diário desses equipamentos durante períodos de calor extremo.
O estudo também alerta para o envelhecimento da população nas grandes cidades e para a falta de estrutura hospitalar e habitacional preparada para enfrentar choques térmicos cada vez mais frequentes.
Para os pesquisadores, as respostas não podem se limitar a modelos caros de “cidades inteligentes” importados do Norte Global. Na América Latina, a adaptação precisa incluir alertas precoces, reforço das redes elétricas, expansão da arborização nas periferias e construções pensadas para reduzir o calor naturalmente.
O levantamento cita experiências positivas na região, como ônibus e táxis elétricos em Bogotá, o sistema integrado de transporte de Medellín, avanços de mobilidade em Santiago e Buenos Aires, normas para edifícios verdes na Cidade do México e digitalização de serviços públicos em Montevidéu.
Com a população urbana em crescimento, Oxford defende que governos locais tratem a adaptação climática como prioridade. O objetivo é evitar que as ondas de calor aprofundem desigualdades já existentes e atinjam com mais força justamente quem tem menos condições de se proteger.