Os Atos Falhos são formas de expressão do inconsciente na condição de vigília de qualquer pessoa. Eles se manifestam na fala, na escrita, na memória. Exemplos: quando alguém troca o nome da pessoa com quem conversa por outro nome. Quando alguém escreve uma palavra quando queria escrever outra. Quando alguém esquece a data de um aniversário que foi convidada. Os atos falhos são sempre a realização de um desejo censurado. Por isso o dito: “Só se esquece o que se quer”.
Pela perspectiva do fetichismo, o bolsonarista Marcos do Val pode ter usado o tênis de Lula, porque para usar um sapato é preciso colocar o pé. O que signifique que ele pode ter escolhido este objeto para simbolizar um desejo próprio.
Lula é presidente, e como presidente ele, para psicanálise, representa simbolicamente o pai-edipiano. Quando o bolsonarista afirma: “não dou R$ 50 naquele lixo”, pode ter recorrido desqualificar-desejando. E ainda o chama de “líder”. E não esquecer que o fundo é um tapete-vermelho.
Pela perspectiva dos Atos Falhos, o bolsonarista, talvez, inconscientemente, quisesse pronunciar outra palavra, porque os Atos Falhos nos logram tanto pela semelhança fonética como gráfica. Tênis remete, pela semelhança, tanto pela fonética como pela grafia, para uma parte do corpo do macho. Até rima.
Também não esquecer que os Atos Falhos, apresentado em seu livro, Psicopatologia da Vida Cotidiana, foi uma grande descoberta de Freud para chegar ao inconsciente do analisando, já que ele recorria mais a interpretação dos sonhos.
O certo mesmo é que o bolsonarista, com sua tentativa de qualificar Lula, revelou dois conceitos usados pelo método psicanalista.
Como afirma, Dona Faticisma Falicante: “Quem fala o que quer, expressa o que quer!”.