LUIS NASSIF: LULA NÃO APRENDE COM A PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA
Lula é reeleito e toma sua grande decisão: escolher alguém fora da lista tríplice, não importa quem. E escolheu Paulo Gonet, um conservador
Depois, veio a Lava Jato, e zero de aprendizado. Eleito, Jair Bolsonaro indica Augusto Aras, não apenas fora da lista tríplice, mas como crítico do padrão Lava Jato.
Lula é reeleito e toma sua grande decisão: escolher alguém fora da lista tríplice, não importa quem. E escolheu Paulo Gonet, um procurador claramente conservador, cujo círculo de amigos inclui o ex-senador Demóstenes Torres, o ex-ministro Ricardo Salles, o ex-STF Marco Aurélio de Mello, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Filho.
Surpresa? Nenhuma. Gonet sempre foi visto como um conservador. Mas tinha a inenarrável vantagem de não ser votado para a lista tríplice. Como se o fato de não estar na lista tríplice, por si só, fosse aval de comportamento não corporativo.
O que se vê é o óbvio: Gonet passando pano nos abusos da Lava Jato, segurando o relatório do Conselho Nacional de Justiça, confraternizando-se publicamente com sua turma e deixando entrever, nos escritórios brasilienses, que já pulou do barco – como, aliás, suspeitei no artigo “Os bambuzais de Brasília e a volta do ar conservador”.
Provavelmente não será reconduzido. Provavelmente Bonsaglia teria sido escolhido, caso não fizesse parte da lista tríplice. Mas o duro é perceber que, apesar de tudo, tudo o que vivemos, pouco ou nada se aprendeu.