CÉSAR WANDERLEI, TALENTOSO E COMPROMISSADO JORNALISTA, ENTREVISTA O AUTOR DO ‘REALISMO CABOCAL’

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PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG.

 

Era outubro de 1997, estava em casa na alimentadora-moleza, quando o escravo-comunicacional-fixo, Graham Bell, tocou. Como encontrava-me sozinho, fui atender, e, do outro lado, a boa e amigável voz conhecidíssima por mim pelos papos-dialéticos e teatrais. Ninguém mais que o engajado e comprometido jornalista, Mário Freire, que naquele momento, como diria o revolucionário Gonzaguinha, ‘Naquele exato instante”, era Editor de Cultura do Jornal A Crítica.

 

“Cara tu podes vir aqui na Redação para conceder uma entrevista sobre o teu livro ‘Atalhos do Desejo’? Dei uma gargalhada e respondi que ia catar uns trocados para pagar o ônibus.

 

Encontrado os trocados, que estavam de bobeira em cima de uma mesa implorando para serem gastos, para eles se realizarem como pulsão-monetária do sistema capitalista, me mandei para pegar o bom e velho bus. Bom, porque iria me deslocar de onde me encontrava até o lugar que deveria chegar e, velho, porque os ônibus de Manaus eram todos, como continuam em seus destinos atávicos de capital sem prefeito.

 

Chegando, o Mário me apresentou um rapaz alegre, sorridente, novinho em folha na profissão de jornalista, e disse: “Esse é o César Vanderlei! Ele que vai te entrevistar sobre a Literatura Cabocão”. Uma breve informação: o conceito Cabocão era ,e é, um conceito-revolucionário em nossa linguagem de subjetividade-inquieta criada na década de 80. Então, era comum nós fazermos uso desse conceito continuamente. Virou nossa cara, corpo, mente, consciência e política.

O Mário nos levou até uma salinha que havia logo na frente, no segundo andar, e ficamos nós dois. Começamos uma papo bem porreta e, percebi que ele estava meio preocupado. Eu perguntei qual era. Ele respondeu que estava começando no jornalismo e já tinha pela frente o Marcos José. Dei uma gargalhada que ele acompanhou também. Falei sobre uns caras que acreditava que ele,também, conhecia, ele foi se lembrando e confirmando, e na abertura de suas defesas, comecei a falar sobre o Teatro Cabocão, do Rock Cabocão, da minha relação com o Mario Freire, e outras jornalistas e jornalistas que tinham as mesmas ideias existenciais que ele deveria ter e que também escrevia alguns artigos no jornal. Pronto! O Cesar Vanderlei largou o Marcos José e se relacionou com o Cabocão.

 

O papo rolou livremente, criativamente, literariamente, profissionalmente e tratamos de temas variados principalmente sobre o Amazonas e Manaus, terras há séculos saeculorem abandonadas politicamente.

 

No outro dia, comprei o jornal e fiquei sensível, intelectual e eticamente contente com o profissionalismo de Cesar Vanderlei. Eu, que já havia concedido várias entrevistas, disse para mim – se é que se pode falar consigo mesmo, o filósofo Nietzsche, diz que não -: “Eis um profissional que sabe, como diz Marx, que todo trabalhador representa ele, todos os outros trabalhadores e toda a Sociedade. O que a maioria dos trabalhadores não sabe. E não sabe nem que é trabalhador. Essa minha certeza foi sustentada pelo título que ele colocou na matéria: ‘Contos do ‘Realismo Cabocal”. É mole?

 

Um dia encontrei um companheiro jornalista que, muito preocupado, me falou: “Tô sabendo que o César Wanderlei te entrevistou. Esse, Mário é muito doido! Como que ele mandou um cara que ainda estava começando para fazer entrevista contigo. Tu, um cara muito doido!”. E eu respondi: “Sabe de uma verdade? O César Wanderlei tem o grau de doidera-política que todo jornalista comprometido tem que ter”. 

 

Hoje, Manaus sofre da paralisia-jornalística que o Cesinha, não sofre! Hoje, a maioria dos jornalistas de Manaus ‘é muito saudável-profissionalmente’. Por isso que os patrões adoram eles e elas.  Servem para seus ‘jornalismo’ reacionário. Sem eufemismo: fascista! 

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