CHINA DEFENDE DIREITO PALESTINO DE USAR DEFESA ARMADA CONTRA ISRAEL
Resistencia à opressão sofrida por Israel é “bem fundamentada” no direito internacional, diz representante chinês em Haia
Foto: Divulgação – International Court of Justice
“Na busca do direito à autodeterminação, o uso da força pelo povo palestino para resistir à opressão estrangeira e completar o estabelecimento de um Estado independente é (um) direito inalienável e bem fundamentado no direito internacional”, disse Ma Xinmin, conselheiro jurídico do Ministério das Relações Exteriores da China e representante do país no ICJ.
O enviado chinês afirma que as políticas de Israel “minaram e impediram gravemente o exercício e a plena realização do direito do povo palestino à autodeterminação”.
Segundo Ma Xinmin, o confronto entre israelenses e palestinos se deve à “ocupação prolongada do território palestino e à opressão de longa data do povo palestino por Israel”, e que Israel é uma nação estrangeira que ocupa a Palestina, e que o direito à autodefesa “cabe mais aos palestinos do que aos israelenses”.
“A luta do povo palestino contra a opressão israelense e sua luta para completar o estabelecimento de um estado independente sob o território ocupado são essencialmente apenas ações”, acrescentou Ma, segundo a agência turca Anadolu Agency.
Mais pronunciamentos
Além do representante chinês, o Tribunal Internacional de Justiça também ouviu representantes da República da Irlanda, do Japão e da Jordânia.
O representante irlandês afirmou que “Israel cometeu graves violações de uma série de normas imperativas do direito internacional”, enquanto o representante japonês deixou claro que o país “acredita em uma solução de dois Estados”.
Já a Jordânia deixou claro que “a única forma de exercer o direito (palestino) à autodeterminação é acabar com a ocupação (israelense)”.
De acordo com a Al Jazeera, a Jordânia tem uma “posição chave” dentro do processo, seja por ser um dos países mais críticos à ocupação israelense na Palestina como também por ser o guardião da Mesquita Al-Aqsa, localizada em Jerusalém.
Pela primeira vez desde 1948, Israel está sob julgamento pelo Tribunal Internacional de Justiça, acusado de cometer o crime de “genocídio” contra os palestinos na região de Gaza.
Atualmente, a Corte está ouvindo declarações orais de estados a respeito do processo movido pela África do Sul contra Israel por conta do confronto na Palestina, onde mais de 30 mil pessoas morreram desde o início dos ataques em 07 de outubro, além da ilegalidade da ocupação israelense de territórios palestinos desde 1967.
A participação brasileira foi registrada nesta terça-feira, dia 20 de fevereiro. Representado pela diplomata Maria Clara Paula de Tusco, o país afirmou no julgamento que a ocupação israelense no território palestino “é inaceitável e ilegal”.
Reproduzindo o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou no final de semana, a diplomata falou na tribuna que as violações de direitos humanos atualmente empregadas por Israel “não podem ser aceitas ou normalizadas pela comunidade internacional”.
