“SOB DINO, DARK HORSE GALOPA RUMO AO PESADELO DE FLÁVIO”, LEONARDO SAKAMOTO
Por Leonardo Sakamoto, publicado no UOL
A operação da Polícia Federal que atinge Karina Gama, produtora de Dark Horse, e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), por suspeita de desvio de grana de emendas para parlamentares para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, pode abrir a porta do inferno para a campanha de Flávio.
A investigação sobre os R$ 130 milhões que ele pediu a Daniel Vorcaro ainda está sob a responsabilidade de seu aliado André Mendonça, no STF, mas esta segunda foi autorizada por Flávio Dino. Ao longo do processo, teremos ranger de dentes sobre limites e competências da investigação, mas a análise das contas de Karina pode mostrar, além do uso de recursos públicos de forma ilegal, como o cascalho foi gasto nos Estados Unidos.
E, suma, o caminho da grana das emendas pode ter sido o mesmo do cascalho do Master.
Ou seja, se o dinheiro foi mesmo para o filme ou subsidiou a conspiração de Eduardo Bolsonaro junto com Donald Trump contra o Brasil através do tarifaço no ano passado. Se isso tiver ocorrido, Flávio terá sido cúmplice, pois garantiu o financiamento do brother. Outra coisa que policiais querem, saber é se parte dos recursos foi destinado em dinheiro vivo e virou caixa 2 para alguma campanha por aqui.
Pesquisa Meio/Ideia divulgada ontem mostra que, para 47,9% dos eleitores, a relação com Vorcaro diminui a chance de votar em Flávio Bolsonaro. Para 32,2%, isso não muda o voto e 9,3% afirmar que o fato aumenta a vontade de votar no candidato. A margem é de 2,5 pontos.
Enquanto isso, as denúncias relacionadas a Fábio Luís, alcunhado de Lulinha pelos adversários, filho do presidente da República, trazem menos dano ao mandatário. Questionados se isso muda a chance de voto em Lula, 24,5% afirmam que diminui, 26,1% que não muda e 39,9% que aumenta a chance do voto.
Uma das explicações para isso é que, como o nome de Fábio Luís povoa o noticiário há tempos, o impacto junto ao pai já está precificado para uma parte do eleitorado, que o vê como “filho problema”. Nesse sentido, sua exploração passa a ser vista por parte dos eleitores como perseguição. Não à toa, a campanha de Flávio trocou o foco de Lulinha para Moraes.
Vazamentos até agora, sejam os anônimos, seja a abertura de informações feita por André Mendonça, prejudicaram a campanha do PT por atingirem principalmente um antibolsonarista — Alexandre de Moraes. Agora, caso brotem informações mostrando que Dark Horse é uma estrutura mafiosa que alimentou traições e luxos, isso pode ter um peso negativo para Flávio.
Para os independentes, que são os fiéis da balança na eleição, há uma percepção difusa de que todo mundo é igual devido ao caos instalado. O que beneficia Flávio — que, ao contrário de Lula, está diretamente envolvido com Vorcaro.
Mas, se ficar comprovado o que parece ser, que o filho de Jair se beneficiou do dinheiro do banqueiro, o impacto para ele será grande.
A situação piora, pois foi aceita o acordo de delação premiada doleiro de Vorcaro, Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. Ele confirmou à Procuradoria-Geral da República ter transferido R$ 69 milhões ao fundo Havengate, nos EUA, tocado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, em nome de Dark Horse. Mineiro também relatou ter entregue malas de dinheiro para terceiros a pedido do banqueiro, ressaltando que não saberia a finalidade desse apetitoso delivery. Se Mendonça resolver democratizar os vazamentos, vai ter mais gente sambando.