LULA COMPARA ASSASSINATOS PRATICADOS POR ISRAEL, EM GAZA, A ATUAÇÃO DE HITLER. PARA DEFENDER SEUS ATOS GENOCIDAS, ISRAEL PEDE EXPLICAÇÃO
Nova Delhi, Índia, 11.09.2023 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, concede entrevista coletiva à imprensa em Nova Delhi, Índia, e faz balanço da viagem. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente afirmou que falta governança no mundo para cessar guerra de um exército bem preparado contra mulheres e crianças
“O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe, não é um momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus. Então, não é possível que a gente possa colocar um tema tão pequeno, deixar de ter ajuda humanitária. Quem vai ajudar a reconstruir aquelas casas que foram destruídas? Quem vai retribuir a vida de 30 mil pessoas que já morreram? E de 70 mil que estão feridos? Quem vai devolver a vida das crianças que morreram sem saber porque estavam morrendo? Isso é pouco para mexer com o consenso humanitário?”, questionou o chefe de Estado.
O presidente brasileiro pontuou ainda que o que está acontecendo no mundo é “a falta de instância de temperação”, uma vez que não há, a nível global, governança dos demais chefes de Estado.
“Qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que, na Faixa de Gaza, não tá acontecendo uma guerra, mas um genocídio. Não é uma guerra entre soldados e soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças”, defendeu Lula.
Repercussão
Ainda que outros países já tenham chegado ao consenso de que Israel promove um genocídio na Faixa de Gaza, tanto que a África do Sul acusou os israelenses à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, as declarações do presidente brasileiro não tiveram boa repercussão.
No X, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, informou que vai convocará o embaixador do Brasil para uma reprimenda sobre os comentários feitos por Lula.
“Isso não comprometeria o direito de Israel de se defender”, disse Katz no X, acrescentando que o enviado seria convocado na segunda-feira.
A declaração ofendeu ainda a Confederação Israelita do Brasil (Conib), que repudiou a declaração de Lula classificando-a como infundada.
Confira a íntegra da nota:
“A Conib repudia as declarações infundadas do presidente Lula, comparando o Holocausto à ação de defesa do Estado de Israel contra o grupo terrorista Hamas. Os nazistas exterminaram 6 milhões de judeus indefesos na Europa somente por serem judeus. Já Israel está se defendendo de um grupo terrorista que invadiu o país, matou mais de mil pessoas, promoveu estupros em massa, queimou pessoas vivas e defende em sua Carta de fundação a eliminação do Estado judeu. Essa distorção perversa da realidade ofende a memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes. O governo brasileiro vem adotando uma postura extrema e desequilibrada em relação ao trágico conflito no Oriente Médio, abandonando a tradição de equilíbrio e busca de diálogo da política externa brasileira. A Conib pede mais uma vez moderação aos nossos dirigentes, para que a trágica violência naquela região não seja importada ao nosso país.”
